Férias para quem?

Uma amiga me disse recentemente que a única forma possível de conciliar trabalho e os horários e necessidades dos filhos é pagando. Ela está certa. Estamos agora naquele momento crítico do ano: as férias de verão! Isto significa que teremos as crianças em casa do  dia 20 de junho até 10 de setembro! Uma maravilha para eles, mas um desespero para os pais que nem de longe têm tantas férias. Em um país sem babá, sem empregada doméstica, como fazer ? Pois como disse a sábia amiga: pagando quem pode ou renunciando ao trabalho, também quem pode. Sim, porque às vezes sai mais barato ficar em casa e cuidar dos filhos, que ter um emprego. Estranho país.

Em Zaragoza, uma cidade de tamanho médio (a quinta maior cidade da Espanha, com 700 mil habitantes) e com uma prefeitura saneada, existem alternativas um pouco mais em conta na ajuda com os filhos. No nosso bairro, por exemplo, há colonias de férias subvencionadas pela prefeitura. Os pais pagam uma parte e a prefeitura outra. É lá que Hugo está passando suas manhas, com a maioria dos seus colegas da escola. Fazem jogos, tem piscina, se divertem. É desses momentos que você se sente privilegiada por viver em uma cidade com qualidade de vida.

Mas para quem, mesmo subvencionadas, as colôncias ainda são caras, ou incompatíveis com o horário de trabalho, tem que buscar alternativas. Normalmente a opção mais comum é pedir socorros aos avôs. São estes que agora no verão lotam os parques e praças cuidando dos netos. Muitas vezes exaustos, com crianças levadas que não param. Realmente fico boba com o nível de abuso que se fazem dos avôs neste país. Mas se no número de filhos já é pequeno na Espanha (1,2 filhos por mulher), seria ainda mais reduzido sem ajuda destes avôs guerreiros.

A outra alternativa que vejo por aí é deixar as crianças, geralmente  a partir dos 10 anos, sozinhas em casa. Uma conhecida me contou que deixa a filha de quatro anos a cargo da mais velha de 12. A mãe prepara a comida antes de sair de casa e a menina esquenta no microondas. Uma responsabilidade grande para uma menina que ainda nem é oficialmente uma adolescente. Opção, ou falta de, que no Brasil só vemos em famílias mais pobres, mas que aqui é relativamente comum.

Sensação que tenho é que o mundo moderno, em que pai e mãe trabalham, não por status, não por vaidade, mas para poder pagar as contas, é incompatível com o equilíbrio familiar. Muito difícil esta equação, que fica ainda mais evidente durante o verão.

Pese a isto, o verão ainda é minha estação preferida. Porque ter luz até tarde e calor para a praia e a piscina nos fazem lembrar, que difícil ou não, é para estes momentos de alegria que estamos aqui.

Comentar