De onde você conhece tanta gente?

Uma das maiores curiosidades a respeito de quem mora fora é sobre amizades. “Você conhece muitos brasileiros?” “Você já fez amizade com alguém?”

É uma curiosidade natural. Temos a tendência de achar que somos um povo caloroso, acolhedor, e que em outros países teríamos dificuldades de quebrar a frieza e rigidez comuns em outras culturas.

Em relação aos brasileiros, uma boa fonte é procurar na sua cidade uma associação que reúna expatriados ou imigrantes do Brasil. Aqui em Pequim, temos a Brapeq, que promove happy hours, almoços mensais e grandes eventos como a festa junina e o Natal da criançada.

Por conta da nossa ligação com a França, fazemos parte também da associação francesa chamada Pékin Accueil, que promove a integração dos chamados francophones, pessoas de países que falam francês. A associação promove desde jantares e degustação de vinhos até palestras sobre a China e cursos os mais variados para os seus membros.

Para quem tem criança, uma maneira fácil de conhecer pessoas novas é começar pelos pais dos amigos. Acompanhar a criançada na pracinha, na piscina, levar na casa do amiguinho, tudo vira motivo para conhecer alguém. Fiz grandes amigos no ponto de ônibus escolar do meu condomínio. Além disso, quase sempre participamos dos eventos da escola das meninas.

The Big Draw - pais, alunos e professores participam da manhã de desenho livre no foyer da escola.

The Big Draw – pais, alunos e professores participam da manhã de desenho livre no foyer da escola.

Por meio de uma amiga – brasileira, mãe de um coleguinha de turma da Sofia – fiquei conhecendo a Clícia, outra brasileira, dona de uma joalheria aqui perto de casa. Na loja, ela promove cursos de culinária e drinks capitaneados pela Sara e Stacey, da Starafood. Já fiz mais de seis cursos com as moças: de martinis a drinks borbulhantes, de comida sueca até brunch. Elisa e Sofia amam quando aprendo uma receita nova que elas curtem. Lá conheci outras alunas qua volta e meia fazem cursos comigo. De um lado, chinesas e coreanas que mal sabem utilizar o forno. Do outro, latinas animadíssimas que fazem a aula parecer um carnaval.

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Na feira de verão da escola, conheci o Shout! Rock Choir, coral de rock que se reúne uma vez por semana, num condomínio próximo à minha casa. Lá, conheci nossa maestrina e mais um grupo animado de amantes da música que inclui finlandeses, filipinos, alemães, chineses. De vez em quando saímos para almoçar ou passear pelo distrito das artes.

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A Pamela, amiga do ponto de ônibus e mãe de um coleguinha da Sofia me convidou para fazer parte do clube do livro do condomínio. São quase 20 mulheres que se reúnem mensalmente e, entre vinhos e petiscos, discutem o livro escolhido pela anfitriã do mês anterior. As leituras variam entre o drama (We need to talk about Kevin), romances (The Island) e até uns bem divertidos (The Rosie Project).

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Para muitos expatriados, existe a barreira da língua na hora de se relacionar com outras pessoas. O bom é que, em geral, existe um clima de compreensão e solidariedade enorme mesmo com pessoas que não dominam o inglês. Todo mundo tem paciência, se ajuda na compreensão e não se pega em erros gramaticais. E, como falo às minhas alunas, a linguagem gestual sempre ajuda.

 

Eu já fui muito tímida. Do tipo entrar muda e sair calada. Mas, ao longo dos anos – e depois de muita cantoterapia – isso foi mudando. A timidez ao extremo me deixaria isolada mesmo no Brasil. Morando fora e quebrando as barreiras da timidez, pude conhecer pessoas de culturas totalmente diferentes e aprendi muita coisa.

Se já fiz amigos aqui na China? Muitos. Daqueles que levam bolo e deixam na porta da sua casa, dos que  convidam para ir tomar uma cervejinha toda 6a. feira, das que ligam chorando porque brigaram com a filha adolescente… e por aí vai. Basta estar aberto a isso. E eu estou.

 

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