A escolha sem traumas da nova escola

“Helena está ótima, nunca vi uma adaptação tão fácil. É o Rio de Janeiro ou é ela mesmo?“

A pergunta da professora na primeira avaliação da caçula na nova escola me deixou ao mesmo tempo orgulhosa e confusa. Eu e Daniel também tivemos a mesma impressão: todo o processo foi bem natural e rápido. Simples.

Claro que teve um mimimi num dia ou outro:

“Não quero ter que fazer outros amigos!”

“Não sei se estou gostando dessa escola!”

“Quero ficar em casa brincando, escola é muito chato!

Mas em geral ela vai e volta saltitando pelas ruas, ansiosa para contar as novidades, feliz com a aula de culinária, compartilhando as novidades das novas amigas, descobrindo o prazer da leitura. Não deveria ter sido mais sofrido, complexo, traumático?

Quando a gente muda de cidade com filhos uma das grandes preocupações é a nova escola. E para mim essa questão existe muito além da linha pedagógica ou do planejamento de conteúdo que vai ser ensinado ou da posição que a instituição ocupa no ranking de aprovação no Enem.

Para mim, acima de tudo, estão as novas relações que vão ser estabelecidas. Afinal, meus filhos vão ficar cinco das 14 horas diárias que passam em potenciais atividades cognitivas nesse lugar com essas novas pessoas. De onde vêm? Que trazem de valores? Já pensou por esse ponto de vista? Você escolhe uma super escola trilíngue, com a mais descolada tecnologia de ensino, mas seu filho passa preciosas horas com profissionais, crianças e famílias que não compartilham dos mesmos valores que você. E aí como faz? Como perceber isso numa simples visita guiada ou numa conversa com um coordenador ou professor?

Nessa mudança para Campinas não levamos muito tempo para definir a nova escola. Fizemos uma pesquisa online, ouvimos algumas opiniões, selecionamos três. E escolhemos logo a escola da primeira visita. Assim, de cara. Pesou o jardim cheio de jabuticabeiras (Ana Bemfica vc precisa vir conhecer!), a biblioteca central interligando as principais áreas de circulação dos pequenos, a ênfase na formação humana. Mas pesou principalmente o discurso cuidadoso com a nossa família, a preocupação com o acolhimento nesse momento de mudança.

E foi com esse sentimento que decidimos, assim que cruzamos o portão de saída.

Claro que essa decisão de pronto também me deixou um pouco insegura e receosa de ter sido precipitada e impulsiva demais com um assunto tão sério.

Mas no desenrolar desses quase 60 dias, vivendo essa adaptação, a certeza tomou o lugar do receio. E essa é a resposta para a transição sem traumas: não é o Rio, nem a Helena, mas a coerência de nossa escolha. Encontramos a interseção, um espaço onde os valores são parecidos com os nossos, onde o desenvolver do ser humano vem na frente do desempenho escolar.

Uma extensão da forma como queremos criar e educar nossa filha. E não é isso que a escola deve ser?

Comentários

  1. Que bom saber Raq! concordo com o que vc disse e ainda acrescentaria o fato de que muito provavelmente, os pais dos amigos da Helena, são seus novos amigos em potencial também! Melhor que seja uma galera gente boa né? 😉

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