Same shit.

Antônia chora porque perdeu o par ou ímpar.
João chora porque quer dormir na minha cama.
Eu choro de cansaço.

Pedro chora escondido
Cuca grita pra chorar
Marília chora de saudade

Carlos chora com jazz.
Regina chora com carinho.
Tarsis chora e sai de fininho.

Gabriela chora pela filha.
A filha chora por ela.

Cada lágrima pesa um tanto. Tanto não tem medida. Mais. Menos.

Perder o par ou ímpar não é menos importante
que o medo do escuro,
que o cansaço nos meus ombros,
que o refúgio no banheiro.

O cachorro late porque não é feliz sozinho.
Minha mãe sofre porque perdeu a dela. Porque quer me abraçar e não pode. Porque quer ver o dente mole do João.
Carlos chora de emoção, de saudade, de idade, de Petterson, Coltrane, Brubeck e de Davis.
Tarsis sai de fininho porque o coração é tão grande e mole que precisa de mais espaço.
Gabriela se pergunta por que? Por que? Por que?
A filha olha pra ela e pede mais um chocolate.

Choro de emoção não é menor que lágrima de problema,
nem que latido de choro,
nem que choro de medo,
nem que aperto de saudade
nem que pavor de solidão.

Pra tudo quanto é mazela dessas, tem uma solução.
Enquanto estivermos aqui.
Em Dubai, no Rio, em Teresópolis, Bali, Campinas, Zaragoza.
Também em Melbourne, na Filadélfia, na cozinha, na banheira, na escada, no mundo da lua.
Pra cada lugar um choro.
Todos diferentes.
Todos iguais.

Comentários

  1. Bia, sua linda!! Como diria o Gil:
    Tenho pena de quem chora

    De quem chora tenho dó

    Quando o choro de quem chora

    Não é choro, é chororô

    Quando uma pessoa chora seu choro baixinho

    De lágrima a correr pelo cantinho do olhar

    Não se pode duvidar

    Da razão daquela dor

    Não se pode atrapalhar

    Sentindo seja o que for

    Mas quando a pessoa chora o choro em desatino

    Batendo pino como quem vai se arrebentar

    Aí, penso que é melhor

    Ajudar aquela dor

    A encontrar o seu lugar

    No meio do chororô

    Chororô, chororô, chororô

    É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar

    Chororô, chororô, chororô

    É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar

    Chororô, chororô, chororô

    É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar

    Chororô, chororô, chororô

    É mágoa, é muita água, a gente pode se acabar

  2. preciso dizer: que LINDO! li este post no facebook da Gabriela que conheci rapidamente ha uns anos atras na casa da avo do meu marido, Dona Lea, em Ipanema. Seu filho tinha sido transferido para Dubai, e ela estava emotiva. Hj, eu, filha, e recentemente mae, me mudei do Brasil para a Asia, com meu marido e nossa pequena na época com 6 meses. Parece poesia. Qdo na verdade é mais saudade misturada com rotina. Com simplicidade e ao mesmo tempo das maiores riquezas da vida. Parece minha. Tao lindo! me vi ali no post, vi minha mae, minha filha, minha irma. e entendi a dor. a angustia. para todos que pensam que e fácil, que é glamoroso, eu penso que é necessário. é longe. é diferente. é passageiro. é um difícil crescimento. é oriente. parabéns.. pelo texto. pela coragem. pela emoção. pela arte de escrever!

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