Não pode amamentar? Eu também não! E daí?!?

De tempos em tempos eu sempre leio ou vejo algum texto falando sobre amamentação, e tem muita coisa legal por aí, mas também tem muita gente que só julga, e ao invés de ajudar, acabam deixando  muitas mães se sentindo culpadas. 

Vou contar a minha experiência na Austrália.

Aqui em Sunshine Coast são todos super pró amamentação, e amamentar em público é super normal, na verdade normal não, é simplesmente NATURAL. 

Quando o Noah nasceu, ele veio ao meu peito logo após ter sido examinado (tivemos um pediatra na sala de cirurgia, por conta do parto complicado) e foi super simples a pegada, parecia que aquela boquinha tinha o formato do bico do meu peito (sim tiveram as fissuras, a dor, mas isso passa, JURO!) E os dias foram passando, e meu leite não descia, e todos os dias eu tinha uma midwife (a tradução seria parteira, mas elas são muito além disso) me dando aulas e aulas de como eu tinha que amamentar, até que uma santa midwife me perguntou: “vc já fez alguma cirurgia no seio?” E foi aí que eu descobri que uma grande maioria de mulheres tem a amamentação comprometida por causa de cirurgias plásticas com o corte conhecido como “forma de T”.

O Noah chegou a ficar sem fazer xixi por isso, e eu, com a falta de experiência, não sabia o que fazer. Mas essa santa midwife começou a dar fórmula pro Noah na seringa e foi quando eu percebi o quanto ele estava com sede e fome.

A partir daí fui introduzida ao método do “supply line” é um canudinho que vc oferece junto ao peito pro bebe mamar, assim ele estimula a produção de leite e mama leite materno e fórmula ao mesmo tempo.

 

A minha santa midwife ficou impressionada com meu “talento inicial”, mas eu confesso que nas madrugadas era super estressante, mas o Noah “sobreviveu” e o mais importante, eu também! 

Mas infelizmente sempre tem aqueles que te apontam o dedo, falam que fórmula faz mal ao bebê, que não é natural, assim como a mamadeira, e tudo isso traz nas costas uma culpa enorme, porque convenhamos, os hormônios já estão totalmente desregulados, e a última coisa que você precisa nesse momento é mais sobrecarga de culpa por não ter conseguido amamentar.

Quando a Luana nasceu, eu já fui pra maternidade com minha lata de fórmula e mamadeiras na mala, e com toda experiência de tentar amamentar por mais tempo, mas sempre ciente que a fórmula era necessária. De novo eu usei a supply line + peito. Fiquei 4 dias no hospital, e todos os dias eu tinha uma midwife diferente, e todos os dias elas me questionavam o motivo de estar dando fórmula ao meu bebê, e eram umas 2hs até eu explicar a situação e convencê-las que essa era a minha melhor opção, e no fim, elas entendiam, mas todo esse processo era desgastante e chato.

Enfim o que eu quero dizer é que amamentar seu filho é uma das melhores coisas do mundo, e isso todo mundo já sabe, mas, se vc por causa de algum problema não conseguiu amamentar, NÃO SE SINTA CULPADA e não deixe ninguém lhe apontar o dedo, vc é tão mae quanto aquela que amamentou exclusivo e o “cacilda a quatro”. O que vale é o amor e o respeito que você tem e terá pelo seu filho a sua vida toda.


 

 

Comentários

  1. Pri, gostei muito do jeito humano de falar sobre a dificuldade da amamentação. Eu tive muita dificuldade no começo com Lucca: tive tudo, do peito rachado à mastite, passando também pelo leite que não descia. Foi o obstreta de Lucca que me ajudou e me ensinou a amamentar. Na época cada Doda ( as midwives ) da maternidade que chegava me orientava de uma maneira… “Cada mamada dá os dois peitos”, “a cada mamada um peito”… meu corpo não entendeu nada. E quando cheguei em casa, com mastite, não conseguia mais amamentar, e achava que tudo que eu fazia era errado. Tinha hora que pensava, se não fosse o ser que eu mais amava no mundo, teria desistido. É muito importante entender que somos humanos, temos limites, e precisamos de ajuda: seja ele de uma pessoa, ou da fórmula. Abaixo o sofrimento e viva a maternidade plena, aquela cada uma vai ser a melhor mãe possível.

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