Mudanças, separações, saudade e crescimento

Sempre gostei de mudar. Mudar tira você da zona de conforto, te faz experimentar coisas novas e, inevitavelmente, crescer. Embora tenha nascido e morado no Rio de Janeiro por 43 anos, as mudanças sempre estiveram na minha vida. Mudei muito de emprego e, mesmo quando fiquei no mesmo emprego por quase 15 anos, mudei muito de função ao longo do tempo. Mudei muito os cortes e cores de cabelo (kkkkk), mudei sempre e muito os móveis de lugar (para desespero de quem vive comigo), mudei de estilo de vida e fiz novas escolhas, em especial nos últimos dez anos, quando me separei, casei de novo e fui mãe pela terceira vez.

Nessa virada para 2015, a vida nos trouxe uma mudança mais desafiadora. Meu marido foi contratado por uma multinacional em Campinas. Um projeto legal, numa cidade interessante. Combinamos que ele iria na frente por um tempo curto para experimentar e eu seguiria depois.

O depois chegou agora em abril.

E, embolada com a mudança para um novo lar, numa nova perspectiva de recomeços, a dolorosa decisão de seguir sem meus meninos, meus filhos do primeiro casamento.

Uma situação que nenhuma mãe imagina viver na vida. Nunca.

Quando você se separa, na sua cabeça e no seu coração essa situação está resolvida: seus filhos ficarão morando sempre com você, mesmo que você saiba e entenda que eles também são do pai. Ok, vocês combinam a guarda compartilhada e eles passam a metade do tempo com o pai. Mas o sentimento primário é que aquela cria que saiu de dentro de você é sua. E ponto final.

Mas a pontuação nem sempre é assim na escrita da vida.

Na minha história, apareceu uma pausa, daquelas dramáticas. Danilo, com 17 anos, está no último ano do ensino médio. Uma mudança de escola a menos de seis meses para os exames das universidades? A decisão racional prevaleceu e ele decidiu ficar no Rio e ver o que acontecerá, para onde vai passar. Mas e Lucas? Aos 12 anos, o menino que adora futebol e PS, não quis encarar a mudança. Escolheu ficar com o pai e tentar manter a rotina, os amigos, a escola.

A foto do dia da despedida

A foto do dia da despedida

As semanas antes da mudança foram de muita dor, como num parto às avessas. Mesmo repetindo o mantra “os filhos são do mundo” dia e noite, muita terapia e floral, a cada caixa embalada, o coração ficava mais pesado. Uma saudade antecipada e descomunal. Como vai ser? E se acontecer alguma coisa? Eu vou aguentar? Como eu vou ficar sem sentir o cheiro deles? Sem ver a bagunça no banheiro, os livros jogados no quarto, as brigas intermináveis e implicâncias por tudo?

Não sei. Mas estamos seguindo. É isso.

Não consigo escrever mais, as lágrimas vão brotando e a tela vai ficando turva.

Estamos numa pausa. A ver no que vai dar.

A mesa com os pés cerrados

A mesa com os pés serrados

Vou contar um pouco aqui no blog a partir de agora as delícias e dores dessa vida nova.

Que simbolicamente começou com uma dor na chegada da mudança: a mesa de oito lugares da nossa família de seis + os agregados não entrou no elevador, nem passou na porta do apartamento. A solução foi cortar os pés e reduzir um pouco a altura. E ela agora está aqui, de novo.

A vida é assim, de ganhos e perdas, mudanças. E assim vamos evoluindo e crescendo. E criando nossos filhos.

Comentários

  1. que difícil, Raq, de verdade nao consigo imaginar a quantas anda seu coração. Mas daqui de longe eu torço, torço para sua felicidade e para conseguir da, melhor forma, viver essa nova fase que foi colocada no seu caminho!!um beijo carinhoso para você

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