Aprender a dormir

Como dizem por aqui, nenhuma criança é tao adorável que sua mae nao o queira ver dormindo.

Como dizem por aqui, nenhuma criança é tao adorável que sua mae nao o queira ver dormindo.

Esta noite, como tantas outras, Hugo acordou no meio da madrugada e veio para nossa cama. Nestes casos, temos três opções: não deixamos e o levamos de volta à sua cama, esperamos que durma e levamos para o seu quarto, ou abrimos espaço e aguentamos o menino que ocupa sozinha mais da metade cama de casal.  De todas as formas, as três opções terminam igual: pai e mãe não conseguem ter uma noite de sono direto, sem acordar nas madrugadas, sem ficar passeando de um quarto a outro. Sem se prometer que na próxima noite tentará dormir antes para compensar as horas perdidas. Mesmo sabendo que se fosse dormir para compensar todas as horas que me faltam, teria que dormir pelo menos uma semana inteira sem acordar nem um minuto. A questão do sono é uma das grandes preocupações de quem têm filhos. Quando você está grávida, já recebe conselhos: “durma tudo que puder agora”. Como se alguém pudesse dormir um tempo antecipado… depois o bebê nasce e temos que aprender a dormir tempos curtos. Hugo, por exemplo, acordava a cada três horas para mamar. Um verdadeiro relógio suíço. O certo é que temos que tentar dormir o tempo em que o bebê dorme, o que nem sempre é fácil. E se não consegue, aprender a ver o mundo em certo estado de zumbi. Tudo um pouco distante e lento. O cérebro sem condições de absorver muita informação. E aí, nestes casos, o problema sono pode virar uma autêntica questão, com você perguntado a toda mãe que encontra pela vida: “quando seu filho começou a dormir uma noite inteira?”. E lendo toda e qualquer reportagem e depoimentos sobre métodos “científicos” para ensinar, ou melhor, doutrinar a criança a não acordar de madrugada. Na Espanha, o método mais conhecido, odiado e admirado em partes iguais, é o ensinado pelo médico Eduard Stivill no livro Duermete, Niño: como solucionar el problema del inmsonio infantil (Dorme, menino: como solucionar o problema da insônia infantil).  Resumindo um pouco o livro, doutor Stivill ensina que a criança só aprenderá a dormir uma noite inteira sozinha, se os pais não acudirem em seu socorro todas as vezes que ela chorar. Quer dizer, tem que deixar chorar sem pegar no colo, sem dar peito, chupeta ou mamadeira. Pelo menos ele permite que os pais entrem em intervalos regulares para “consolar ao bebê” e dizer “estamos aqui, não te pego no colo porque você tem que aprender a dormir sozinho”. A maioria dos bebês costuma chorar três noites e na quarta já dormem, porque sabem que, por mais que esperneiem, não conseguirão o que querem. O método do doutor Stivill parece cruel, mas comparado com o do pediatra norte americano, Michel Cohen, de moda em Nova York, é água com açúcar. Segundo este doutor, uma criança tem que aprender a dormir a partir dos dois meses. Com esta idade, os pais têm que levar o bebê para o seu quarto as 19 horas, fechar a porta e voltar às 7 da manhã. A criança pode gritar até ficar roxa (na verdade a mãe nunca saberá se ficou roxa ou não) mas a porta não deve ser aberta jamais. Nunca! Assim, novamente, a partir da terceira noite de gritos, os bebês dormem. Para todas as mães que neste momento pensam que não voltarão a dormir jamais, posso dizer que sim,  noites inteiras de sono existem, não são uma miragem no deserto da maternidade. E posso acrescentar que tentei provar com Hugo o método do doutor Stivill. E foi um fracasso. Não porque o método não funcione com a criança. Ele não funciona é com os pais que não conseguem ver o filho chorar sem ir correndo ver o que lhe passa. Hugo dormiu sua primeira noite inteira aos noves meses de idade. Naturalmente. Claro que as noites nunca mais são iguais ao tempo anterior ao seu nascimento. Tem as noites em que está gripado e respira mal. Há noites em que tem pesadelos e pede para vir a nossa cama. Tem outras noites em que está mais manhoso e quer que lhe cante mais uma canção. E tem outras madrugadas, em que todos dormem bem, e você levanta para ver se nao está acontecendo alguma coisa.  Mas isto já é parte da rotina e nunca podemos esperar ter a mesma vida que tínhamos antes de ter filhos. Creio que neste tema, como para tantas coisas, a palavra mágica é rotina. Criar hábitos para ir dormir. Tentar respeitar a hora de ir para o quarto. Ler um livro juntos. Cantar e sair do quarto com a criança acordada. Todos os dias. Eu e Nacho revezamos. E os meninos já sabem: “hoje é o dia do papai”, “hojé é a mamãe”. E ai de ti se tentar mudar o dia.

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