Aniversários

Essa semana, uma amiga brasileira ligou chamando as crianças para o aniversário da sua filha. A festinha vai ser em um espaço para jogos infantis com o típico de um aniversário de dois anos: brigadeiro, beijinho de coco, quibe, etc. Nós iremos com um presente para a menina e aproveitaremos a tarde. Normal, não? Pois não. Aniversário de criança por aqui não é bem assim e, com a proximidade do próximo “cumpleaños” de Hugo, também vamos aprendendo (uma vez mais) que as diferenças culturais surgem onde você menos espera.
Até o ano passado, os dois eram muito pequenos e suas “festas” eram em casa, somente para a família e amigos mais íntimos. Por sorte Carol nasceu na primavera, entao, no niver desse ano, levamos o bolo ao parque que temos diante de casa e convidamos alguns amiguinhos da creche para brincar. Já Hugo é de final de novembro, má época para festinhas no parque. E os edifícios daqui, são raros os que contam com uma zona comum para esse tipo de evento social. Ou convidamos os amigos para casa, com o caos esperado, ou buscamos uma casa de festa infantil. Mas esbarramos em dois problemas: primeiro que não poderíamos convidar a toda a classe do Hugo, pois essas casas cobram por cabeça e na sala são 25, mais os irmãos, enfim, que nos parece demasiado caro para um aniversário de quatro anos. E eu confesso que não gosto nada da idéia de convidar a uns e não a outros. É sempre uma saia justa e ainda mais com criança pequena, que depois vai esfregar na cara do amigo: “eu fui no aniversário de fulaninho e você não foi!”.
O outro problema de uma festa grande é que aqui quase ninguém faz. Quer dizer, esses super aniversários que estamos habituados a ver no Brasil, com tema, com animador, com lembrancinha para convidados, aqui eu nunca vi. Lembro de um blog de um francês http://olivierdobrasil.blogspot.com.es/2013/04/curiosidades-brasileiras.html que vive em Minas, contando que um dos seus espantos no Brasil é que um aniversário de dois anos parecia mais a coroação de um imperador romano. Ri com a comparação e entendo a surpresa vendo os aniversários daqui . São bem mais simples. Normalmente se convida alguns amigos a uma pizzaria ou ao infalível Macdonalds e só. Tem também a versão politicamente correta: para evitar o drama da seleção de convidados, as escolas, ou melhor, os pais organizam aniversários em conjunto, por trimestre. Quer dizer, a cada três meses, reservamos uma casa de festa e celebramos em atacado todos os aniversários do período. Está proibido levar presentes. Cada criança recebe um presente somente dos seus pais e cada família paga a entrada do seu filho. Assim, não fica caro para ninguém e as crianças brincam juntas. Todas? Pois não. Por mais politicamente corretos que tentamos ser, ainda sim esbarramos nas diferenças culturais. Normalmente, os pais árabes e os chineses não participam da confraternização. Dá pena, mas isso exclui um dos amiguinhos com quem Hugo mais brinca. Pelo menos todos os latinos e os eslavos adoram uma festa. Também não sei o que a criança pensa de celebrar seu aniversário às vezes dois meses depois da data ou um mês antes, mas a praticidade espanhola é imbatível.
Esse mês, então, vai ter festa da turma. Para a sorte do Hugo, entre setembro e novembro só estão ele e outra menina. Com isso, celebraremos seu niver em conjunto no dia correto (para ele). E a nós pais, só nos resta aguentar duas horas e meia no inferno de gritos e alegria infantis.

Aniversários coletivos, uma instituiçao espanhola.

Aniversários coletivos, uma instituiçao espanhola.

Comentários

  1. Boa festa Rosane! Adorei saber dessa alternativa simples e que pode ser igualmente memorável com uma festa coletiva. Apesar de prática até que faz sentido. Beijos e felicidades para vcs.

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