Ordem e Progresso…

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Desculpe nossa ausência. O último mês foi um período de muita transpiração e pouca inspiração. Até agora me sinto um pouco enferrujada para escrever este post.
Mudança são várias, muitas caixas e caixinhas, cheias de surpresas. A equação é simples: o número de caixas de uma mudança é proporcional ao de horas gastas em cada uma delas. E olha que tem caixas que duram muito mais do que uma hora. De Milão para Londres foram mais de 200 caixas. Noves fora, todas as outras coisas que vem junto com chegar em um novo país. Mas, determinado o alvo, os objetivos na vida da pessoa passam a ser : esvaziar caixas da mudança, organizar tudo e deixar tudo funcionando. Nada inspirador. Ok, tudo depende de expectativa. Nesse caso, a parte do “deixar tudo funcionando”, não tem muita pretensão. Só significa não perder horas procurando a sunga do marido numa manhã, com ele e você num mal humor absurdo, acabar não encontrando,e maldizendo a idéia de ter se matriculado na academia. Desculpe nossa falha, não conseguimos ainda chegar nesse ponto. Hoje, não se pode nadar.
Mas o inimigo já está identificado e seus pontos de atuação também. O pior deles está aí, na entrada de casa, no vão entre a escada e o hall, onde caixas vazias se misturam com as cheias, e a máquina de lavar roupa (que temos que dar um destino), além de coleções de sapatos e casacos, que dia-a-dia vão se acumulando em cima e embaixo das caixas. Evito até olhar para esse lado quando entro em casa, para não ser invadida por maus sentimentos. E começo a pensar que nosso batalhão de 3 soldados é de centopéias.
Mas, até já ganhamos algumas batalhas. Finalmente todos já sabem onde estão os descansa-pratos, onde se guardam as panelas, copos, louça, talheres, mas principalmente , onde é que é o lugar do chocolate na dispensa; estratégia fundamental de estímulo na hora da luta. Ufa, ao menos a cozinha está funcionando.
Nossas armas também melhoraram à medida em que avançamos em campo inimigo… Já temos duas cômodas a mais, um pequeno armário e dois criados mudos. Demorou, mas a loja entregou direitinho, e já conseguimos montar.
E cada um tem que entrar na dança, porque senão depois da organização vai ser um tal de “onde está isso?”, “onde está aquilo?” sem fim. Ai que preguiça.
A questão é motivar o pelotão a encarar o desafio. Sempre tem algo muito mais urgente para fazer… chatear no whatsapp com o amigo que está na Coréia do Sul, o imperdível jogo da pré-temporada do Chelsea que vai passar em 5 minutos na TV, saber como vai a corrida presidencial no Brasil, e etc. Qualquer coisa passa a ser mais importante do que dedicar um tempo a organizar nossas coisas. Já pensei em várias ações motivacionais: uma caixa por um sorvete, uma caixa por massagem nos pés, uma caixa por levar e trazer do futebol ( lá longe) e com um plus, sem a mãe-torista reclamar. Nenhuma funcionou. Eu também tenho minhas artimanhas para escapar da função. Confesso que organizar as coisas na chegada a Londres, uma cidade cheia de coisas muito mais interessantes que as caixas, torna-se bem complicado para uma família tão curiosa. Também, merecemos. Depois de 5 anos fora, e 3 mudanças de país no currículo, começar esta história deve ser de uma maneira mais leve e divertida que das outras vezes.
O pior é que as férias terminam, e agora serei eu, solita, que terei que desfazer o que resta. Coragem, que esta semana vai! Pelotão, sentido. Peito para fora, barriga para dentro. Foco no alvo. Preparar, apontar…Hummm, peraí, tem um filme novo que entra em cartaz … Acho que as caixas vão ter que esperar mais um pouquinho. ;-D!

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