Nasce uma mãe, nascem os medos

E hoje ele saiu para mais uma viagem. Dessa vez para o Brasil. Sorte dele que vai estar com a familia. Triste para nós que estaremos longe dele.

Quando o “marido vai viajar” vira um sentimento doído é quando estamos longe da nossa família, do nosso país. Sim, os amigos viram a nossa família, como já disse aqui no meu último post. Mas os amigos também têm seus filhos, sua rotina, seus compromissos. E é aí temos que lidar com nossos medos, inseguranças e angústias longe de tudo.

Nunca fui de ter muitos medos, ao contrário. Cheguei aqui cheia de coragem em viver o novo. Tirando a saudade, não me abalava a cada viagem do meu marido que sempre foram frequentes. Mas confesso, depois que meus filhos nasceram os medos aumentaram na mesma proporção ao amor que nasceu junto deles. E aí que começa mesmo o tema esse post.

Nascem os filhos, nascem os medos. Sempre ouvi isso, e só depois da chegada do Rodrigo e agora da Marina sinto o que é ter medo. Medo da viagem de avião. Medo de terremoto (moramos no Peru, zona sísmica). Medo de faltar para eles. Medo de ficar doente, deles ficarem doentes. Medo de errar na educação e comprometer de alguma forma a formação deles. De pecar pelo excesso. De pecar pela permissividade.

Lidar com esse sentimento faz parte do pacote maternidade e talvez se estivesse na minha “zona de conforto”, no meu país e junto da minha família, esses medos teriam proporções muito menores. É passar a mão no telefone e ligar para a sua irmã mais velha para pedir um socorro se necessário, é correr pro colo da sua mãe/pai quando você se sente insegura das decisões, é sentir a presença física de alguém que você pode contar a qualquer hora, em qualquer aperto.

Mas na contramão dessa insegurança, a sensação que eu tenho é que me fortaleço a cada dia estando longe e tendo que lidar com isso sendo mãe de dois. Não é fácil, mas é engrandecedor. Mas, quem disse que seria fácil ser mãe e ainda ser mãe em outro país?

*****

Amor, volta logo.

Comentários

  1. Rô, outro dia num jantar com amigos contávamos o porque tínhamos decidido mudar pra Londres. Ele, nosso amigo, deu a descrição que para mim foi a mais exata da sensação que eu tinha: Miguel cá, eu em Milão. Ele disse…
    “É como se os dois tivessem andando de bicicleta, e se parar de padalar você cai.” Por outro lado te faz ter pernas fortes pra caminhar e bicicletar por aí.
    Te entendo e te admiro.
    beijo grande

Comentar