Vida Real

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Ahh sim… No Brasil a gente frequentava restaurantes caros, eu usava roupas bacanas, fazia a unha toda semana, cortava o cabelo num salão beeem caro. Vivíamos ali, na corda bamba, sempre “despindo um santo pra cobrir o outro”, como diz a minha mãe. Não me importo com esses apertos, porque considero a vida curta e dela precisamos aproveitar ao máximo, mesmo que isso signifique parcelar tudo em muitas vezes, ou fazer um empréstimo de vez em quando. Vivia assim e nada mudou depois da maternidade. Dinheiro era “A” questão, mas sempre pintava mais trabalho e mais dinheiro que na maioria das vezes servia para cobrir algum buraco e manter nossa vida irreal. O Pedro se incomodava muito mais do que eu, preocupado e afogado em planilhas sem fim, mas de uma certa forma, assim como eu, rendia-se a um estilo de vida a que sempre fora acostumado seja pela família, ou pela rede de amizades.

Muito bem.
DUBAI, apenas uma fonte de renda (a do Pedro). Nada de parcelamento. Comida caríssima. Grande parte das despesas pagas pela empresa. Cool! Nada disso.
Temos a vida mais simples que se pode imaginar. Como já disse aqui, não temos empregada, não frequentamos restaurantes, não compramos roupas bacanas (nem não bacanas), pensamos dez vezes se vamos ao cinema mais de uma vez no mesmo mês.
Nossa vida mudou completamente. No Brasil eu tinha o meu trabalho, empregada, ajuda da família, unha feita toda semana, viajava duas vezes por ano para Paris e Londres… mas tinha, dívidas. Nossa vida era irreal. Talvez, surreal.
Por outro lado, é bom acordar numa casa iluminada. Ver as crianças como índios, pelados e pintados de verde, correndo pelo jardim. É bom andar de janelas abertas sem medo de ladrão. É ótimo poder participar da educação deles, diaria e ativamente. É bom planejar o futuro, mesmo que isso signifique abrir mão de alguns luxos no presente. Fico me perguntando se isso é que é ser adulto, porque se é, acabei de (ter) que crescer…

Comentários

  1. Não apenas te entendo, como também é nossa realidade. Brinco que somos ricos uma vez ao ano, nas ferias no Brasil. Aí temos empregada, manicure, clube, casa em Búzios, engarrafamentos e medo. Um mundo vertical. Aqui compro roupa na liquidação, meus filhos só se vestem na H&M e é o normal. Viva a simplicidade!

  2. Bia, aqui no Canadá a vida é simples e maravilhosa também, diariamente. É como uma amiga me disse uma vez: no Brasil a gente tem status e vive mal. No Canada, ninguém tem status e todo mundo vive bem. Viva a simplicidade, a segurança, a tranquilidade, a civilidade, a cidadania, ao respeito ao outro, ao estar presente no aqui e agora.

  3. Bia, ja estou nos UAE desde setembro… Não posso reclamar do padrão de vida que tenho aqui. Nossos valores mudam: a casa com a porta aberta, as crianças brincando na rua passam a ter muito mais valor que a roupa bonita, a unha perfeita e o cabelo impecável… Esses nossos valores so provam o quanto no Brasil somos superficiais e passivos. Preferimos blindar carros a nos revoltarmos com a falta de segurança, parcelamos em X vezes aquela roupa fantástica ao invés de nos revoltarmos com os preços, com os impostos e com a nosso suposto maravilhoso poder de compra… Aos poucos vc se acostuma 🙂 Vivo esse tipo de vida desde 2001 . Amo essa vida aqui, amo a vida simples e real, onde tenho tudo o que preciso para ser feliz: minha família mais unida do que nunca ,respeito, segurança e paz de espirito

  4. bom dia Beatriz, obrigada pelo seu ponto de vista, é sempre interessante trocar experiências de maes espalhadas pelo mundo ! Eu estou do outro lado do “espelho”, uma estrangeira no Brasil com 2 filhinhos e vou te dizer que nunca consegui me acostumar ao que eu chamaria de “desvalorização da simplicidade” – que nem sempre mas muitas vezes rola aqui (ainda mais quando seus filhos estudando em escola particular). Eu tento privilegiar programas que gasta energia mas nao dinheiro, despertar curiosidade e nao desejos de consumo, ficar perto da natureza e longe dos padrões-shopping mas sei que estamos longe do mainstream e as vezes isso atrapalha a integração dos meus filhos que já foram chamados de “gringinhos” na escola. Criar meus filhos num outro pais se revelou rico pra mim no sentido que me ajudou a definir os valores que queria transmitir a eles “a qualquer custo”. Boa sorte em Dubai !

  5. Estamos quase em Dubai!!! O que está pesando em nossa decisão e justamente a questão dos valores! A toda momento luto contra todos na educação de meu filho que se torná cada vez mais difícil já que aqui em nosso enorme e maravilhoso país o consumismo e o “ter” e mais importante do que o “ser” . Espero estar tomando a decisão certa e quem sabe encontrar novas amizades e uma comunidade com valores bem mais sadios e que tudo de certo!!!!

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