“Vai procurar a sua turma!!! “

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Sou sócia do Clube dos Despertencidos desde a infância.
Eu estava ali, disponível para as amizades, interagindo com o grupo, mas a ele, nunca pertenci. Como um post-it que cola, mas desgruda fácil fácil. 
Desde que chegamos aqui, o Oriente Médio tem sido Grande para as crianças. Abriu horizontes, apresentou nova cultura, outro cheiro, cara, cor, língua. Atraídos pelas novidades, fizeram novos laços, ainda que leves, de cetim.
João do Brasil é amigo de Reubin da Inglaterra e de Victor da França. Nutre um amor platônico por Sophia, que não sabemos de onde veio. Antônia do Rio, ama Maria de algum lugar do Irã, Valentina de Huston e Lorenzo da Colômbia. Pedro…. bem, o Pedro é um caso à parte porque é amigo de todo mundo que conheceu desde que chegamos. É o garoto propaganda da Coca-Cola, porque seu sorriso enorme entrega “Abra a Felicidade!”.
Tenho sido muito feliz aqui, mas diferente deles, ainda não encontrei a minha turma. 
Dia desses estava entre brasileiras, a tomar café com pão de queijo e ali estavam todos os predicados para uma ótima tarde de boa conversa. Pois durante duas horas, só se falou de empregada, falta de empregada, reclamação de empregada, problema da empregada. Todo o tempo referidas como seus pronomes possessivos:

“A MINHA é abusada…”
“A MINHA mentiu que a filha estava doente…”
“A MINHA  me devia mais respeito…”
“A MINHA…

A MINHA?? Ter a ajuda de uma pessoa na sua casa, lavando o seu banheiro, cuidando das suas coisas, depois de ter deixado a família nas Filipinas para ganhar a vida, não faz dela SUA. Mas isso é outro assunto.
O caso é que a cada tentativa de fortalecer a cola do meu post-it, me deparo com situações assim, e descolo. Essa não é definitivamente a minha turma. Quero falar de vida, de um projeto. Quero ouvir uma história gaiata, dar risada de doer a barriga. Quero aprender.
Dias depois, levei o João na casa do Reubin, da Inglaterra. Já o tinha convidado antes para brincar aqui em casa e tomando suco de laranja, conheci um pouco mais de sua mãe, Laura (também mãe de Sarah e grávida de mais uma menina). Pois quando cheguei em sua casa, sentada na cozinha em volta de um prato de cerejas, Laura me mostrou revistas, recortes, tecidos, a mesinha própria para guardar ovos que pertenceu ao seu avô…. E tivemos uma tarde como a tempos não tinha. Antônia e Sarah, João e Reubin, eu e Laura. Pois dessa tarde veio a ideia de nos reunirmos mais uma vez, agora sem as crianças e será esta noite na casa dela. Vamos fazer um projeto juntas. Vou levar os meus livros, tecidos, aviamentos e vamos ver no que dá.
Estávamos tão animadas, que não houve tempo para falar das ajudantes que não temos…. 

Comentários

  1. Bia, Vai ser demais, você vai ver! Conheci muitas amigas Aqui na itália assim: em volta de uma mesa com uma máquina de costura no meio e um monte de coisas lindas que produzimos juntas. Isso nos deu muita alegria. Estou muito feliz por você! Aproveite.

  2. Quando a gente vai abandonar a cultura dos serviçais!? A boa notícia é que essa é uma mão de obra em extinção. Não vai adiantar querer ter uma empregada para chamar de sua. Boa sorte com a Laura!

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