Quem viver, verão!

Festa da espuma para celebrar o fim do ano na escola do Hugo

Festa da espuma para celebrar o fim do ano na escola do Hugo

Nosso ano está acabando. Ao norte do Equador, a noite de 31 de dezembro é uma mera formalidade. O ano realmente termina agora: hoje é o último dia de escola para Hugo (saiu emocionado, vestindo roupa de banho, pois terão guerra de água para celebrar), começam as férias de verão para as crianças e para mim também, já que a escola de fotografia onde trabalho fecha durante o período estival (julho abrimos para workshops). Nacho também descansa em agosto e viajaremos para nossas ansiadas férias no Brasil. Como todo fim de ano, é hora de fazer balanço, de pensar o próximo ano e aproveitar esse curto, mas intenso verão.

Com quase dez anos vivendo na Espanha, confesso que ainda não me acostumei totalmente a ter as quatro estações do ano e de como nosso dia a dia é afetado pelas mudanças de temperatura. Eu gosto do calor. Muito. De usar sandálias, de ir à praia, de sair de cabelo molhado… e calor de verdade só temos agora, de junho a meados de setembro. É quando fazemos a mudança de armário: roupas de frio para as gavetas de baixo, subir as roupas de calor. Ver o que ainda entra do verão passado, buscar alguém para dar o que ficou pequeno e está quase novo. Em maio, quando mandei Hugo para o colégio com uma camiseta de manga curta por primeira vez desde outubro passado, ele, espantado, passou um bom par de minutos olhando seus braços e rindo. Hora também de estrear band-aid no pé, pois as sandálias novas vão machucar os pezinhos acostumados a andar só com meias. Chegou o momento de aproveitar o sol até quase às 22h, de dormir de janela aberta, de freqüentar às piscinas públicas, presentes em quase todos os bairros.

Verão em Zaragoza é bem curioso. Em junho e julho a cidade é uma festa. Muita gente pelos bares e parques, festivais de música e teatro por todas as partes, as piscinas lotadas, filas enormes no cinema. Alegria por todos os lados. Mas aí chega agosto e todos desaparecem. Não há uma alma nessa cidade. O açougueiro e o padeiro da nossa rua, como quase todos os comerciantes, fecham as portas e colocam um cartaz avisando:

“Estamos de vacaciones. Desculpen las molestias.”

E a cidade inteira se muda de mala e cuia  para a praia. Mais precisamente para Salou no litoral de Tarragona (Catalunia). Isso inclui os meus sogros e todos os tios do Nacho. Salou está para Zaragoza como Guarapari para os mineiros. É território conquistado. E todos tiram férias ao mesmo tempo, porque senão o calor acaba, e praia só no ano que vem. Enfim, quem pode foge de Tarragona, mas é muito difícil encontrar uma praia vazia. Hordas de turistas dos países do norte (nórdicos, ingleses, holandeses…) invadem a península em busca do sol e do mar. Só no ano passado, a Espanha recebeu 56 milhões de turistas!! (o Brasil com a Copa tentará chegar a 10 milhões.)

Zaragoza em agosto tem suas vantagens. Não há problema para estacionar, as piscinas estão vazias, assim como os cinemas. Mas não tente fazer nada prático. Nem sequer tirar uma fotocopia de um documento. Tudo fechado. Também não é bom momento para sair para jantar. Mais da metade dos restaurantes também fecha.

E como tudo que é bom dura pouco, dia 1 de setembro voltam todos. Tudo reabre. Os parques voltam a ter gritos de crianças. Os bares renascem. Na segunda semana de setembro, voltam às aulas. E, de repente, um dia no final desse mês, entrará um vento mais fresco. No começo de outubro, as roupas de banho, as camisetas, os shorts desceram para a gaveta de baixo. Subirão os casacos e as botas sairão do fundo do armário. Um novo ciclo começará. E um novo ano iniciará sua jornada. Mais tranquilo e introspectivo. Mas calma. Ainda temos todo o verão que viver. E dia 23 de junho será a noite de São João, a mais curta do ano. Hora de colocar na fogueira tudo de ruim e renascer para esse novo ciclo. Quem viver, verão!!

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