Lar doce lar.

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“Sabe qual a pior  coisa de morar fora do país? É que você nunca mais vai se sentir em casa.”
Foi  o  que uma amiga, veterana dessa história de morar fora, nos sentenciou há um tempo atrás.
É bem verdade que sempre vai faltar alguma coisa na vida da gente e, cada  país que passamos, a lista só aumenta. Em vários aspectos de nossas vidas.
Na Espanha, não tínhamos muitas coisas do Brasil. E a cada visita ao nosso país, a mala vinha cheia das coisas que poderiam amenizar a falta de outras, que não se compensam jamais.
Na Itália, as comparações eram inevitáveis: ” ah o pata negra é muito melhor que o prosciuto crudo”. E toda desculpinha era pretexto para dar um pulo logo ali na península Ibérica e voltar com a mala cheia de novo.
Chegando em Londres, sabemos, não vai ter jeito: a lista de coisas  da mala de desejos já está até pronta para a nossa próxima escapada à Italia.
No fundo, talvez a gente faça isso para tentar não sentir tanta falta de casa.
Mas o que é estar em casa? É sentir-se seguro, protegido, acolhido, parte de um grupo? Se é um pouco isso, posso dizer, no começo sempre é um pouco complicado, mas desde que saímos do Brasil, nunca nos sentimos fora de casa.
Vivo dizendo que não sou caramujo para levar a casa nas costas. Pode ser  porque a casa não é algo para se carregar nas costas. Mas sim  em nossas cabeças e corações, de um  jeito mais leve de viver a vida.
Estamos no Brasil, num período de férias, antes de chegarmos concretamente em Londres. E dessa vez o caminho de volta começou por deixar a nossa casa em Milão. Nas malas não tinha como colocar nada que pudesse compensar.
Chegamos ao nosso grande país. Abatidos pela despedida. Acolhidos na chegada. Como a mãe gentil, que abraça o filho pródigo que a casa torna, fomos recebidos com a comida que conforta, o aconchego e  calor que nutre em  meio a um inverno. Inverno de 27 graus, que delícia.
Rapidinho já estávamos sorrindo e corados.
É tanta generosidade, tanta fartura e abundância … seja em São Paulo, Brasília, Recife, Igarapé, Guaratinguetá . Em todas cidades onde passamos, ou passaremos. Periga até termos que pagar excesso de bagagem na volta para nossa nova casa.
Então, sinto muito, mas vou discordar redondamente da sentença de nossa amiga veterana.
A viagem não é aquilo que você espera encontrar num lugar, é  aquilo que você leva para lá.
Como diz  Caetano Veloso… “o melhor lugar é ser feliz.”
Estamos em casa.

Comentários

  1. Ana querida, que bom ler isso, estava precisando ouvir essa voz de quem já mudou tanto. Torço para que, em breve, me sinta tão leve quanto você, na casa nova. Beijos e aproveite esse Brasil.

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