Às Mulheres de minha vida.

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Na mitologia, Penélope era aquela que esperou Ulisses por 20 anos. Sem notícias dele, e com a pressão de seu pai para que se casasse  novamente, ela resolveu fazer  um acordo: se casaria com outro, mas só depois que terminasse de tecer um sudário para o pai de Ulisses. Tecia de dia, aos olhos de todos, e desfazia à noite.

O que tenho em comum com Penélope? Pouco. Porém, sinto-me tecendo algo sagrado. Só que  à noite eu sonho com os anjinhos.

O que teço mais parece uma colcha de retalhos. Não faço isso sozinha. Nunca fiz.

Os pedacinhos  dessa colcha tem um pouco de cada mulher da minha vida.Tanto as de longa data, quanto as mais recentes. Elas não são poucas. São todas aquelas que fizeram, e fazem a diferença na minha vida: me transformam, me aconselham, me orientam, me confortam. Nos gestos, nas palavras, no olhar, na convivência, e na presença. Acredito que algumas delas nem sabem o quanto  são importantes. Elas trouxeram riqueza à minha vida, simplesmente pela sua existência.

Elas  têm cores diferentes, várias idades, profissões, personalidades, nomes,  jeitos os mais diversos. Vem daqui e de lá. Ah, do outro canto também. Algumas vezes nem a mesma língua falamos, mas sempre damos um jeito de nos conectar.

Quando lembro dos contos de fadas de minha infância , toda vez que uma mulher menos experiente  estava em algum apuro,  sempre aparecia do nada uma outra  mulher mais sábia para ajudar. O príncipe  só chega depois. Geralmente quando a heroína já resolveu todo o melê, com a ajuda da  mulher sábia. Pode conferir…

Acredito que na vida é assim: a gente já nasce sabendo, e no caminho vamos encontrando as coisas que  apreenderemos.

Eu sempre adorei costurar. Mas só fui descobrir isso aqui na Itália . Fui aprender a costurar para aprimorar o Italiano. Tentei aprender só a língua, mas eu não via sentido, achava muito chato.

Costurar foi a melhor coisa que poderia ter feito. Muito além de qualquer curso, e da língua, conheci mulheres maravilhosas em volta de mesas, em meio à linha, agulha, tecidos e máquina de costura.

À medida em que  eu ia, com cada uma dessas mulheres, transformando o tecido em novas formas e tamanhos, também  ia descobrindo um novo jeito de vestir a vida. Juntando um lacinho daqui, uma renda dali, um bordado, uma prega… tudo ficava cada vez mais bonito.

E não ficamos só na costura não. Tinha gente com muitas outras habilidades, que acabamos compartilhando também.

No final produzimos juntas- e  voltar a produzir novamente fez toda a diferença para mim- coisas lindas. Apesar de voluntárias, todas nós ganhamos muito com isso.

Penso que gratidão é uma bênção. É energia recebida de presente do universo, que deve voltar para o universo. Por isso também, que divido aqui minhas experiências .

Tantas mulheres dos quatro cantos do mundo têm me ensinado e me  feito companhia nessa jornada. Doando, ao menos um pouco, daquilo que elas têm de mais precioso: a si mesmas.

Nos últimos dias, algumas colegas de blog tem falado lindamente sobre a importância dos amigos. Coincidência ou não, temos recebido muitas demonstrações de afeto de nossos amigos aqui. Então, agora é minha vez.

Minha homenagem é para elas, as mulheres da minha vida. Porque sem elas, tudo seria muito mais difícil.

E assim vamos seguindo, cozendo a mão.  A cada quadradinho desse patchwork, que representa cada uma delas,  entram novas cores. Por isso, onde quer que eu for, as levo comigo.

Gosto muito de como está ficando a colcha que vejo. E, no dia que eu precisar me cobrir com ela, estou segura que é dali que virá o calor que conforta, anima e nos ajuda a seguir em frente. Porque esta colcha é feita de puro amor e doação.

Com  muito amor, Obrigado.

Con il mio cuore,  Grazie.

As quiero mucho,  Gracias.

With Love,  thank you.

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