O ciúmes de mãos dadas com o amor

A pausa para escrever esse rápido texto foi dada assim que o pai pegou o mais velho e saiu para comprar bicicletas novas para a família. É uma tarde gostosa de domingo friorento. Lima já está cinza, cor predominante nos meses que vão de maio a dezembro.

A pequena dorme “rico” (como dizemos aqui) ao meu lado no sofá enquanto escrevo.

É em momentos como esse entre os dois que eu aproveito para cuidar da Marina integralmente sem me preocupar com o ciúme sofrido que o mais velho tem sentido. Amamentar com ele por perto, por exemplo, é sempre uma emoção. Sempre decide me pedir colo quando a pego para amamentar, já arrancou a almofada de amamentação e saiu correndo com ela na tentativa de eu abortar a missão, já tentou puxá-la dos meus braços enquanto ela estava agarrada no peito, já chorou, já se jogou nas minhas pernas para poder empurrá-la e até já usou o corpinho da Marina de mesa para guardar as suas massinhas enquanto brincava no chão aos meus pés. Eu sei que a sensação de ter perdido toda a atenção dói nele.

Nunca pensei que ele não sofreria e não sentiria ciúmes, mas confesso que essa é a parte difícil que tenho aprendido a lidar. Faz parte do crescimento, do próprio amadurecimento dele e de todas as crianças que ganham irmãos lidar com a atenção dividida. A história se repete em todas as casas e na grande maioria, o sentimento de “abandono” dura apenas alguns meses. Virão pela frente anos de companheirismo e de cuidado com ela.

Em paralelo às cena de ciúme e o chororô para chamar a atenção, o amor sincero dele pela irmã já existe forte e é de emocionar. Beijos e carinhos diários que ele pede para fazer nela me fazem ter a certeza de que ter lhe dado uma irmã foi a melhor coisa que pude ter feito a ele. Chorei quando ele ficou, em silêncio, de mãos dadas com ela enquanto eu amamentava. E não importa as poucas horas de sono e todo o trabalho que outro criança traz. Não importa passar daqui dois anos por outra fase do “terrible two”, não importa as dores e as incertezas de estar fazendo errado, ou certo.

Nasceu um outro amor dentro de nós e o que eu pensava que não pudesse ser maior, foi duplicado. Isso que importa.

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Comentários

  1. Que lindo Ro. Eles ficam mesmo entre turras e carinhos. Os meus seguem assim, ainda agora estavam gargalhando e agora já saíram em discordância da sala. Feliz dia das Mães para você, aí. Beijos

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