O coração tem razōes.

 

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Foto: Três chapéus, três sorvetes, dois avós e tanta alegria…

 

Viver fora faz a gente querer aproveitar todas oportunidades de ficar perto de quem ama. Principalmente da nossa família. E mais ainda dos nossos velhos.  E tem uma coisa que  aprendemos há um tempo: para potecializar a sensação de que convivemos mais com eles, preferimos que eles venham para cá. É até um pouco egoísta, mas aqui a gente garante exclusividade. Não precisa ficar negociando com todas as interferências da rotina deles, nem competir com a atenção de ninguém. Sem falar dos milhões de compromissos que nós temos quando vamos ao Brasil. É muita agenda para coordenar!  E além de tudo isso, quando eles estão por aqui, eu e Miguel podemos dar aquela escapadinha de final  de semana ou feriado. Um luxo para um casal com filhos que vive longe.

No verão de 2012, nosso primeiro na Itália, combinamos de meu pai vir nos visitar. Era um período em que estávamos todos com os sentimentos à flor da pele. Um ano difícil, com uma triste e enorme perda. A idéia era viver tudo que podíamos de bom, juntos, exatamente para celebrarmos a vida .

Vovô Elvio chegaria em Milão, e ali ficaríamos alguns dias. Depois  ele iria com Lucca à Roma, visitar minha prima, enquanto eu e Miguel iríamos comemorar nosso aniversário de casamento.

Logo que eles partiram para Roma , eu conversava com Miguel sobre o quanto era gratificante ver a emoção de Lucca com o avô, andando de bonde, passeando pela cidade, apresentando nossos lugares do dia-a-dia. Falava também sobre minha alegria de ver meu pai por aqui conosco, na terra de origem de seus pais, meus avós. Coisas tão simples, mas tão significativas.

E a conversa terminou com uma idéia, a  de voinho, o pai de Miguel, se juntar a nós. Voinho, Sr. Luciano, meu sogro, diferente de meu pai, é muito fácil de ser convencido a viajar. Parece até que nasceu com rodinhas. Acho que foi com ele que Miguel aprendeu a ser tão solto. Parecia loucura, mas ligamos e fizemos o convite. Minutos depois, ele deu um jeito na agenda de trabalho e negociou com voinha Silvia. Passagens compradas,  pá-pum… tudo certo: ele chegaria no dia em que Vovô Elvio e Lucca voltassem de Roma.

Aí surgiu outra idéia: a da surpresa para Lucca e meu pai. Eu pegaria Lucca e meu pai em um aeroporto, Miguel pegaria seu pai em outro. Nos encontraríamos em casa.  Pelos nossos cálculos, Miguel e Vovô Luciano chegariam um pouco antes em casa. Eu diria que tinha esquecido a chave, como sempre, e teria que tocar a campainha.

Quando a porta se abriu,  e do outro lado estava o Vovô Luciano… foi uma explosão de emoções! Entre a surpresa de Lucca, que só perguntava  ” mas como?”, risos e abraços apertados, comemoramos aquele encontro. Já pensou você chegar de Roma com seu avô e dar de cara com seu outro avô de Recife, em Milão????

Foi uma semaninha de longas refeições, muitos abraços, conversas intermináveis, rodízio de avós dormindo com Lucca, uma noite de ópera inesquecível em uma arena romana em Verona, pequenas e lindas  viagens, fotos, fotos e mais fotos, e muitas risadas juntos. Um presente para todos  nós.

Mas Sr. Luciano tinha que voltar para o Brasil, para voinha, o trabalho, e sua família . E foi embora alguns dias antes de Vô Elvio.

De qualquer maneira, ainda tínhamos muitos planos para aproveitar ao máximo cada segundo com meu pai. Um deles era conhecer a cidade natal de meus nonnos:  Pietrasanta, província de Lucca, na Toscana. E fomos. Miguel ficou, afinal alguém tinha que trabalhar. Então éramos as três gerações, resgatando nossa ancestralidade. E foi mágico. Descobrimos  que a cidade fica na costa, e que a praia é muito parecida com a de Santos, onde há 4 gerações fica a casa de praia de nossa família: veraneio  da infância de meu pai,   minha e de meus irmãos, e todos meus muitos primos. Casa cheia de histórias, que hoje é pouco frequentada, mas que ninguém nem toca no assunto de vender.  Passeamos por Pietrasanta, procurando nos interfones os nomes de possíveis parentes. Uma brincadeira divertida, em que íamos também reconstruindo nossa árvore genealógica. Visitamos os ateliês de escultores de mármore e entendemos de onde vem a incrível  habilidade de meu pai no entalhe da madeira: seu hobby, sua arte. No dia seguinte, para fechar o circuito, fomos almoçar em Lucca, cidade que o nosso Lucca diz  para todo mundo que é sua.

Hoje não teria como não falar dos avós especiais que Lucca tem, mas principalmente do Vovô Elvio. Amanhã meu pai completa 74 anos. E tenho muita sorte tê-lo como  pai, amigo, conselheiro, companheiro de trabalho, exemplo, sogro de meu marido, avô de meu filho e tantas outras coisas que ele significa para cada um de nós.

Só tem uma coisa que ele precisaria melhorar. Tem que ser mais fácil convencê-lo a visitar a gente mais vezes.

Comentários

  1. Que bom Ana! Aproveita muito o te pai! Nessas ferias eu e minhas irmas planejamos uma viagem ao sertao tambem em busca de nossas origens. Pena que nosso pai nao esta mais aqui para nos acompanhar.

    • Super recomendo, façam isso juntos mesmo Rosane! É uma experiência muito forte. Nós também planejamos fazer isso nas férias no Brasil com a família de Miguel… quem sabe vem novos posts daqui e daí também… beijão

  2. Querida Ana,
    Muita emoção com a leitura do seu belo e carinhoso texto. Não tem jeito, o choro vem devagarinho e se espalha no rosto. Alegria e felicidade pura. Ah, sim, demais a foto! Sorte minha e do Élvio ter filhos como vocês e neto como o Lucca. Saudades e beijos, do voinho/sogrão Luciano Bemfica

  3. Que lindo, cunha querida! Imagino a farra que foi. Vai ter que postar uma historinha sobre o encontro do Lucca com o passado do pai…Brasília. 😉 Quero ver…ops, ler!! Bjos e sds!

    • Duds… Essa só depois de passarmos por lá em junho. Mas tenho certeza que vai ter um monte de coisas pra contar. Bóra junto com a gente? beijo e saudades muitas de vcs todos!

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