Maternidade maturada ou como é bom (e difícil) crescer com eles

foto (3)Danilo tem 16 anos. Foi ele quem fez nascer a maternidade em estado bruto em mim.

Não foi fácil.

Aos 25 anos, eu tinha o mundo aos meus pés. Ou, pelo menos, achava que tinha. E com essa dúbia e frágil certeza acreditava que podia desbravar qualquer terreno, ser o que eu quisesse.

Quando me descobri grávida dele, um mundo de oportunidades desapareceu, outro mundo de possibilidades apareceu. Boas e ruins. Fiquei dividida entre elas, não gostei de ver meu corpo mudar tanto, nem de perder o pseudo controle sobre as minhas emoções.

No pós-parto, procurei ajuda terapêutica e nela me apoiei para crescer e amadurecer junto com aquele menino capricorniano com ascendente aquário que colocou essa ariana ascendente leão no mundo das mães.  Ao longo desses tantos anos, experimentamos muitas fases nessa relação mãe-filho-filho-mãe.  Fomos muito próximos, fomos muito inimigos. Fomos verdadeiros e mentirosos. Nos amamos e nos odiamos.

Quando tinha sete para oito anos, uma verdade bendita e gritada por ele me empurrou para o abismo e me mostrou a necessidade de mudar radicalmente a minha vida: “mãe, você é uma pessoa chata, que não sabe se divertir”.

Entre os 11 e 12 anos, voltamos ao inferno de nossa relação, com os hormônios em ebulição dos dois lados: ele, um menino virando homem, eu, na terceira viagem da maternidade. Uma maternidade lapidada e polida, em grande parte, pela relação com ele.

As tempestades andam mais raras. Nosso tempo junto, pouco ou farto, conquista uma qualidade cada vez maior. Percebo que amadurecemos juntos como mãe e filho. Não precisamos falar sempre, nem muito. Temos nossa troca, do jeito dela, num olhar, num abraço, num afago.

Na quinta-feira passada, dia do meu aniversário, ele me mandou uma mensagem por celular, simples e curta: “não vou falar aqui o monte de coisas que vc já sabe. Falo em casa. Parabéns!”

Em casa, quando cheguei, cobrei.

“Mãe, vc é foda! Te amo!”

Abraços, beijos, lágrima. Morri de orgulho, transbordei de amor.

E tive mais uma vez a certeza de que a maternidade é construída e conquistada a cada respiro, a cada dia, todos os dias.

Comentários

  1. Raquel, me lembro quando fui te visitar quando o Danilo nasceu, você me disse:
    _Nao tenho tempo de pentear o cabelo!
    Passam os anos e te vi com a Helena tranquilissima.

  2. Sabe o que é melhor desse blog? É reler com calma as histórias de cada uma. Já tinha lido esta, achei gostosa, mas hoje consegui me imaginar daqui há alguns anos com essa sensação de crescimento bilateral (mãe e filho). Lindo texto. Obrigada por me ajudar a imaginar. Beijos

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