Chegadas e Partidas

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Completamos um ano em Pequim no mês passado. E já começo a sentir um frio na barriga. Um ano e o que eu fiz? O que ainda quero fazer? Começo minhas infindas listas mentais dos lugares que quero visitar, das aulas que quero fazer, dos temperos que ainda preciso experimentar…

Tá certo que no início foi complicado, com a adaptação das crianças nas escolas, mudança para apart-hotel até achar uma casa, mudança para a nova casa e muito trabalho. Afinal, eu também havia sido transferida e precisava produzir e entregar resultados.

A adaptação foi tranquila de início, mas com as férias, vieram os desafios. Depois de algum tempo, foi preciso parar, pesar prós e contras e, literalmente, entregar os pontos: eu precisava ficar com as crianças em tempo integral. E assim foi. Por um lado, uma sensação de fracasso, de não ter conseguido bancar a profissional/mãe/dona-de-casa/mulher tudo junto ao mesmo tempo agora.

Do outro lado, dois meses de férias com as crianças em casa e um tempo que há muito eu não me permitia. Tempo para brincar, criar, cozinhar. Observá-las. E foi isso o que eu fiz.

E agora começo a fazer listas pro que ainda tenho que fazer. Talvez seja porque daqui a alguns meses, minha amiga Gianni vai retornar ao Brasil. Pedi a ela que me mandasse uma mensagem sobre o que aprendeu aqui e eis o que ela me escreveu.

“Morar longe do nosso ambiente sempre nos traz uma forma nova de ver as coisas, amplia nossa perspectiva  sobre o que é certo ou errado. A China é um lugar especial  por sua cultura milenar, adaptável e receptiva. Na China, para além de toda a desorganização e “grosseria” para nós tão aparente, existe muita delicadeza, gentileza, harmonia, respeito, dedicação e espírito de luta. Foram quatro anos maravilhosos em que acordei todos os dias sabendo que naquele dia eu iria ver algo novo e receber um sorriso curioso. Aprendi a ser mais paciente é a primeira lição que se tem em conviver com pessoas diferentes e da China. Especialmente aprendi a enxergar as coisas um pouco mais além do que os meus olhos veem.”

Na minha próxima mudança, quero estar também assim, em paz com a partida, em paz com a ida, como deve ser. Era sobre isso o que eu queria escrever durante a Páscoa. Na minha vida, esse tem sido o meu constante renascimento.