A Cuca te pega!

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E se não for porque você se apaixonou por ela, é porque ela não gostou de você. Cuca, nossa cachorra de 14 anos, aquela que nos acompanha em nossas idas e vindas, é assim. Geralmente avança nas canelas de garçons, porteiros, encanadores e afins. Todos que possam ameaçar a tranqüilidade de nosso lar, ou de sua matilha, no caso, nós. Na maioria das vezes, Cuca não gosta de outros exemplares da mesma espécie. Escolhe seus amigos cães a dedo.  Pela descrição parece antipática, mas não é. É só uma salsichinha cheia de personalidade.

Sei que muita gente vai achar que eu não bato muito bem com esse post, mas sou bichenta mesmo. O que posso fazer?

Cuca é um ser especial de nossa família. Graças a ela, também aprendemos muitas coisas novas sobre os países em que vivemos, e o jeito como cada país se relaciona com os animais. Nesse aspecto, também vale a regra do espelho, que reflete a cultura local. Na Espanha eram mais frios, mas na rua tinha saquinhos para recolher os dejetos e lixeirinhas especiais. Na Itália, é só sair com ela na rua que toda criança fala… “guarda, che bello il caniolino…”, e sempre tenho que explicar para os donos de outros cães que ela é “cativa”, ou seja, “malvada”. Mas o saquinho nós temos que comprar e a lixeira fica sempre meio longe e nunca tem coleta seletiva.

No natal de 1999, nosso primeiro de casados, Miguel anunciou que me daria “O” presente. Eu na maior expectativa de que fosse um cachorro, já avisava: “quero um beagle”. Ele ficou no suspense … e no fim ganhei um Laptop. “Mas eu queria um cachorro!” Que frustração para os dois.

 Em um sábado seguinte, fomos até o Embú das Artes comprar cadeiras para o terraço de nosso apartamento. Logo que chegamos, vimos uma feirinha de filhotes. Bom, a cadeira ficou para a história, e o passeio se resumiu em uma hora tentando convencê-lo em sair dali com um filhote. Tudo culminou com os dois  no carro por mais meia hora, discutindo as cláusulas do contrato do test-drive da compra do cachorro. É verdade, escrevemos à mão e assinamos um contrato: 1- o animal seria meu, eu compraria, e teria a responsabilidade sobre ele; 2- faríamos  teste de uma semana e se não desse certo devolveríamos o bichinho para o canil; 3- Miguel não iria limpar caca, não levaria no veterinário; 4- Ia ser um basset, fêmea, pequeno, pêlo curto, para evitar muito trabalho; 5- o bichinho dormiria no banheirinho do  nosso apartamento; entre outras coisas que agora não me lembro. Aceitei tudo, tudinho. Voltamos para a feirinha. Só tinham duas fêmeas da mesma ninhada, uma loira e outra preta. Colocamos as duas no chão e rapidamente a preta veio brincar. Cuca nos escolheu. Na segunda-feira de manhã, eu ligava para o proprietário do canil : “pode depositar o cheque, Cuca fica na nossa família”. E pouco a pouco as cláusulas do contrato inicial foram naturalmente se ajustando (risos).

Dali pra cá muita coisa mudou, nós mudamos muito, e Cuca sempre com a gente. Como diz minha irmã, Cuca é um caso único de cão: do Embú para o mundo.  Viajou bastante. E continua viajando. Sua primeira viagem ao exterior foi para Miami. Íamos passar alguns dias na casa de amigos que moravam lá e Camila, nossa amiga, disse: “Ah, mas vocês só podem vir se trouxerem a Cuca.”  Dito e feito.

E ela adora viajar. Parece até que pressente quando vai rolar uma viagem. Quando começo a fazer as malas, sempre fica ansiosa, porque sabe que só tem duas possibilidades: ou vai com a gente, ou vai ficar com a pessoa que me ajuda em casa. Muitas vezes ela entra, literalmente ,dentro da mala no meio das roupas, como quem diz…”eu vou, tá?!”

Ter um animal numa família que vive mudando de país nem sempre é simples. Mas para mim, vale todo o esforço. O processo para trazer Cuca para a Europa foi mais difícil do que o nosso, no aspecto burocrático. E olha que o nosso não foi facinho não. Um exame dela demorado no instituto Pasteur, item sem o qual ela não poderia imigrar, quase fez termos que adiar nossa mudança. Além desse, exigiram vários outros exames e certificados, chip, autorizações, além de um duro regime para poder viajar na cabine. A pobrezita teve que fazer uma dieta de cão!

Uma vez aqui, e com o seu passaporte Europeu – super chique-  tudo ficou mais simples. Ela pode circular livremente pelo Mercado Comum Europeu. Complicado mesmo, sempre, é ir e voltar do Brasil. É um tal de entrar no Brasil com certificado, e para sair ter que ir  no veterinário, na polícia federal, no aeroporto com atestado veterinário ao menos um dia antes do vôo, chegar muito antes do embarque, e milhōes de detalhes chatinhos.

Mas  agora nós evitamos levá-la em viagens longas de avião. 14 anos de um cachorro, por mais que ela esteja bem, não é brincadeira, apesar  de ela ainda brincar e muito para sua idade.

Toda vez que Miguel chega em casa Cuca faz a maior festa: late, salta em volta e avisa todos os vizinhos que “papi chegou”. Ritual que dura  até que ele dê um pedaço de pão ou bolacha. Aí ela se acalma e espera que ele se sente no sofá, para ir para  o seu colo. E dali não sai.

Outro dia Miguel voltava para casa depois de quase duas semanas viajando a trabalho. Resolvi fazer como a Cuca: pulei em volta dele, feliz da vida, para lhe dar as boas vindas. Ao invés do pão ou da bolacha, ganhei um sorriso lindo, um abraço apertado e um beijo gostoso.

Definitivamente, a Cuca sabe das coisas!

Comentários

  1. Que lindo. Ana.
    Sei muito bem o quanto vocês se curtem. A Cuca é uma graça. Tem até escola com o seu nome, veja só. Também gosto dela, mas, como você sabe, não alimento intimidades. Quando muito um cheiro, da parte dela, e um afago de mão, deste que lhe fala. Brincadeirinha, né!
    Bjs

    • É meu querido sogro, mas bem que um dia eu vi de canto de olho o Sr. fazendo carinho nela quando ela estava do seu lado… kkkk se ficasse com a gente aqui mais uns 3 diazinhos aposto que ela estaria no seu colo. KKK. Ela ainda chega lá e conquista seu espaço com você. Obrigado pelo carinho! beijo enorme

  2. Que bom q vc conseguiu ter a Cuca por perto, Ana. Nós não pudemos trazer o nosso Bruno pq ficamos com muito medo da viagem e da quarentena na China. Deixamos ele um ano numa “creche” em Joinville e ele agora está na casa da minha mãe, onde curte literalmente uma vida na casa de avó. rs… bjs e aproveite muito a Cuca e sua personalidade.

    • Lívia, te entendo super, porque como boa bichenta, temos um outro cão que está na casa do avô no Brasil: o PB, um dálmata que morremos de saudade. Lucca sente falta dele, e ele sentia muita falta da gente no começo. Mas um cão daquele porte não dava pra trazer. Ainda bem que tem os avós sempre, não é? beijo grande

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