Mãe, o que tem pro jantar?

 

 

 

 

 

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Essa é a pergunta que ouço todos os dias assim que as meninas chegam em casa, por volta das 17h. Como não gostam da comida da escola, chegam em casa esfomeadas, loucas por uma comidinha de casa.

No refeitório, a escola oferece estações de comida asiática, ocidental, italiana, pizza, saladas e sanduíche. Mas, as crianças só podem comer pizza e sanduíches uma vez por semana.

Na turma da Sofia, a sexta-feira é seu dia preferido: sandwich day! Já a Elisa não liga muito, prefere o dia que tem curry. Mesmo assim, são categóricas em dizer que a comida na escola é ruim. Até uma comissão de pais e alunos foi criada para melhorar e tentar agradar a maioria. Mas, está difícil.

Confesso que minhas crianças não são fáceis para comer (apesar de devorarem coisas exóticas para outras crianças, como queijo brie, e pedirem sempre sushi sem nem lembrar que existe McDonalds). Junte-se a isso à comida diferente, digamos assim, aqui na China, e teremos uma tarefa complicada para a mamãe aqui: como alimentar as pequenas com o que elas estavam acostumadas no Brasil?

Em princípio, acha-se de tudo aqui na China. O que mais assusta, no entanto, não é não ter aquilo que nos é familiar, mas a questão da segurança alimentar: casos de carne e leite contaminados, gripe aviária, agrotóxicos de todos os tipos, alimentos com data de validade alterada, orgânicos sem certificação e por aí vai.

A maioria dos expatriados compra produtos importados. Essa semana, aqui em casa estamos tomando leite italiano, molho de tomate americano, água de côco tailandesa e manteiga francesa. A conta do supermercado é cara, mas não dá pra arriscar.

Aliás, é possível fazer compras nas redes internacionais (Carrefour, Auchan, LotteMart, Metro, por exemplo), nos supermercados chineses como o WoMei, nas feiras de rua, nos mercadões, nas “fruit ladies” (verdureiras) e na Jenny.

Eram duas Jennys sócias de uma barraca de frutas nos anos 90 chamada Jenny Lu que acabaram virando uma rede de mercados para expatriados nos anos 2000. Mas desfizeram a sociedade e a rede foi dividida entre as duas. É tudo igual (inclusive a logomarca), mas uns mercados são Jenny Lu e outros mercados são Jenny Wang. Quase tudo é importado ou de marcas internacionais, mas fabricados aqui. Onde tem expatriado, tem um Jenny perto. No meu condomínio, por exemplo, dentro do clube tem um mini-Jenny. Super quebra-galho.

Tem arroz com feijão?

Aqui em casa tem. E, como as crianças gostam, é um jeito de fazer com que compensem o que não comeram no almoço. O famoso arroz chinês é curtinho e grudento. Então, compro o tailandês, mais parecido com o nosso. O feijão daqui eu nunca comprei, meu marido acaba trazendo quando vai ao Brasil porque é mais garantido. Ele também costuma trazer café, leite condensado e suco de maracujá. Fora isso, aqui tem quase tudo: polvilho, mandioca, fubá e queijo brie (indispensáveis para uma família carioca/mineira/francesa).

Há verduras de todos os tipos e legumes os mais bizarros, mas são poucos o que as crianças gostam. Então, invento (e escondo) aqui e ali. A carne não é saborosa e tem que se ter cuidado com onde comprar. Quem pode, acaba comprando importada da Austrália. Eu acabo ficando com carne chinesa mesmo, mas só tem dois açougues aprovados pelo meu controle de qualidade.

A comida chinesa que comemos no Brasil (os China in Box da vida) é diferente da comida chinesa em Pequim. Aqui achamos frango xadrez, arroz colorido, porco acre doce. E pronto. Aqui é a terra  dos legumes extra-cozidos, cheios de óleo, dos temperos fortes, com pimenta, dos tofus, dos patos laqueados com uma crosta de gordura tostada… Tudo cozido junto, e misturado. Em geral, na mesma panela. Muito estranho ao nosso paladar.

As crianças não comem quase nada. Mas, eu e meu marido topamos quase tudo. Gosto mesmo é da flor de lótus, da castanha d’água e dos cogumelos. Costumo ficar longe do tofu fedido que é comum nas ruas do centro, e do famigerado pepino do mar. Essa coisa gosmenta não desce mesmo.

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Comentários

      • Oba! Na primeira vez que vim a Espanha, dividi o vagão do trem de Paris a Barcelona com uma chinesa bem faladeira, mas que só falava chinês. Muito simpática fez questão de dividir toda sua comida comigo. Obviamente não ia fazer a desfeita e ia comendo. Que dureza!

  1. Também sou uma mãe brasileira na China, estou adorando suas postagens e me identifiquei muito com essa especificamente! Ta dureza a alimentação dos pequenos na escola! Mas enfim, aos poucos vamos nos adaptando! 🙂

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