Estamos L.I.V.R.E.S

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Ali naquela esquina dei um beijo na boca.
No Parque Nacional da Sub-sede, meu pai me levava para fotografar a luz entre as árvores.
Pulava o muro da Avenida Maracanã para matar aula aos treze anos.
Meu primeiro estágio foi aqui, na Rua João de Barros… e tinha um casarão no lugar deste edifício…
Na Casa de Saúde São José, morreu meu avô e nasceram os dois filhos.
E aqui? Quanto tempo leva para que hajam novas esquinas, outros muros, uma nova memória registrada?

Três meses se passaram desde que chegamos e esses dias passaram como um raio. Tanto a resolver, assentar, observar, entender, que nem sei. Aos poucos cada um de nós redescobre um novo canto da casa…e de dentro também.
Algo se aquietou dentro de mim e como termômetro deste “grande corpo de cinco gentes”, andamos em um novo ritmo. Descobri o poder de alimentar os meus, coisa que sentia quando amamentava. Revi o tempo, que agora passa mais devagar. Sei onde estão guardadas as nossas coisas e que é bom colocar amor mesmo na mais prosaica das tarefas. Fazemos muito mais coisas… e temos muito mais tempo. Entramos em um estado líquido em que incontáveis vezes, posso antecipar as frases de cada um, e brincamos que posso adivinhar pensamentos.
Gosto de acreditar nesses poderes, mas se não for isso, é só um jeito de ter certeza do quanto conheço o meu gado. Foi preciso vir para o Oriente Médio para aprender este novo compasso, que durante os últimos seis anos desejamos, e buscamos, e…falhamos. Estávamos míopes, buscando os óculos na mesinha de cabeceira, a derrubar tudo em volta. Morar aqui, foi como fazer uma cirurgia definitiva e voltar a enxergar. Seria possível, se estivéssemos no Rio?

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