From março, 2014

O Pequeno Buda

Tenho quatro irmãs, todas têm filhos e todas amamentaram. Minha mãe também deu o peito a todas nós e, na minha vez, também amamentou ao meu primo William, que desde então é meu querido irmão de leite. Quando fiquei grávida, a questão da amamentação nunca foi uma dúvida. Dar o peito é o que as mães fazem. É o normal. O natural. Surpreendeu-me descobrir que aqui na Espanha esse saudável hábito se estava perdendo. Desde os anos 70, diminuiu muito o número de mulheres dispostas a amamentar. As razões de sempre: licença maternidade pequena (quatro meses), horários de trabalhos absurdos…

Quero a comida do jardineiro

Minhas amigas de blog já fizeram ótimos textos a respeito da alimentação fora do Brasil, e estava faltando o meu…Nesta casa sempre se comeu de tudo. Se o menu é peixe, feijoada, bacalhau, lombinho, espinafre, todos devem comer. Quem não quiser, tudo bem, mas com consequências: nada de lanchinhos depois. Quem não come, fica com fome. Temos sorte porque eles até que são bons de boca e os “verdinhos” que agora deram pra implicar, acabam indo na base da contação de histórias sobre um tal “Marquinhos” que uma vez inventei e já viveu mil e uma na minha mão.Quando chegamos…

É o que temos…

Lembro bem, desde pequena minha mãe sempre contava histórias de como eu tinha dado muito trabalho para comer. E no final da história vinha a frase: “você há de ter um filho igualzinho a você.” É real que Lucca se parece comigo nos quesitos magrelo e comprido. Mas problemas de verdade , nunca tivemos em fazê-lo comer bem e saudável. Por outro lado- apesar de ter passado muito pouco tempo (risos)- os padrões de entendimento do que é uma criança saudável também mudaram bastante desde que eu era pequena. De qualquer forma , como mãe o presságio da minha mãe…

Muambas tropicais

Às vésperas do final de semana, recebemos uma boa notícia. Um casal de primos conseguiu tirar uma semana de férias de última hora e resolveu vir para Portugal. Durante a conversa pelo Skype, ela perguntava: “Bia, vocês querem que eu leve alguma coisa daqui?”. Eu disse que não, mas ela continuou dizendo que podia pedir e contou que quando moravam na Alemanha e depois nos EUA, sempre pediam para o povo levar muambas. Disse que até erva para fazer o chimarrão ia na mala dos que apareciam. Dei risada e fiquei pensando: não oferece de novo que eu peço. Ainda…

O que tem que ser e o que é para ser

Quando descobri que ia ser mãe pela primeira vez fui apresentada a um sem número de ”tem que ser” pelos ditadores da maternidade. Você sempre vai ter alguém para ficar repetindo esse mantra da tortura no seu ouvido: Tem que engordar só nove quilos, ter parto normal e amamentar até o bebê ter dois anos. Tem que fazer exercício, alongar, caminhar, nadar e fazer ioga porque gravidez não é doença. Tem que lavar as roupinhas à mão, ter todo o enxoval pronto meses antes. Tem que colocar o bebê para dormir sozinho no quarto, ensinar ele a dormir sozinho, só…

Estamos L.I.V.R.E.S

Ali naquela esquina dei um beijo na boca.No Parque Nacional da Sub-sede, meu pai me levava para fotografar a luz entre as árvores.Pulava o muro da Avenida Maracanã para matar aula aos treze anos.Meu primeiro estágio foi aqui, na Rua João de Barros… e tinha um casarão no lugar deste edifício…Na Casa de Saúde São José, morreu meu avô e nasceram os dois filhos.E aqui? Quanto tempo leva para que hajam novas esquinas, outros muros, uma nova memória registrada? Três meses se passaram desde que chegamos e esses dias passaram como um raio. Tanto a resolver, assentar, observar, entender, que…

Nascer na Espanha

Aproveitando a deixa da Roberta, minha companheira de blog, que narrou lindamente o nascimento da pequena Marina no Peru, conto como foi parir na Espanha, uma experiência absurdamente ruim, no caso do Hugo, e naturalmente fácil, no caso da Carol. E ao contrario do que dizem, que uma mãe esquece a dor quando vê a cara do filho, posso assegurar que minha experiência no primeiro parto foi tao horrorosa que me custou um bom tempo recuperar-me emocional e fisicamente. E eu não esqueci. Sempre confiei na saúde pública. No Brasil, tenho duas irmas e um cunhado médicos. Excelentes profissionais à…

A chegada de Marina

Ela chegou de mansinho, justamente para testar a minha paciência que tanto faltou no final da gravidez (vide meu último post). “Mamãe tá ansiosa? Pois vou tratar de complicar um tiquinho mais isso para ela aprender a ter mais paciência…”, certamente já havia todo um plano na cabecinha dela e de Deus. 38 semanas de gravidez e de ansiedade. Foi no início de uma manhã que ela começou a dar os sinais de que estava pronta para vir ao mundo. O tão esperado segundo parto normal estava para acontecer, e se tudo corresse bem, seria naquele dia, e se Deus…

Mãe, o que tem pro jantar?

          Essa é a pergunta que ouço todos os dias assim que as meninas chegam em casa, por volta das 17h. Como não gostam da comida da escola, chegam em casa esfomeadas, loucas por uma comidinha de casa. No refeitório, a escola oferece estações de comida asiática, ocidental, italiana, pizza, saladas e sanduíche. Mas, as crianças só podem comer pizza e sanduíches uma vez por semana. Na turma da Sofia, a sexta-feira é seu dia preferido: sandwich day! Já a Elisa não liga muito, prefere o dia que tem curry. Mesmo assim, são categóricas em dizer…

Tecla SAP

O sol mal apareceu no horizonte e Vicente chegou no quarto: – Mamãe, acorda. Vamu bincá de avião, vamu? E lá chegava o nosso tuga carioca. Nascido em Portugal, mas com raízes totalmente brasileiras, escolheu se comunicar com a família com sotaque carioca, tem bom gosto, imita tudo o que vem do pai. Saltitando entre dois continentes, no meio da brincadeira começou a cantarolar: – Que linda falua que lá vem, lá vem. É uma falua, que vem de Belém. Tive que aprender que falua é um veleiro que atravessava a margem do Tejo, e também tentei ensaiar a cantoria…