Uma história de amor à chinesa

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Susi, minha manicure, por falar um inglês um pouco melhor do que o da ayi, me ajuda a entender a cultura chinesa. Foi ela que me explicou que muitas chinesas, assim como a minha ayi, passam roupa sentada. “É que ficamos cansadas de ficar em pé”.

Essa semana, ela me deu uma aula sobre o ano novo chinês, contou da festa na casa da família dela e se lembrou de um caso de amor ocorrido na sua cidade, que fica a umas três horas de Pequim de ônibus.

Lá os casamentos ainda são arranjados, negociados entre as famílias dos noivos e a casamenteira. Pois, um rapaz estava na idade de se casar e procurou uma dessas senhoras que o sugeriu uma moça de “boa família”, trabalhadeira. Ele, que conhecia a moça de longe, topou e pagou o dote.

Tudo acertado, um dia o rapaz viu a moça no shopping e reparou que ela tinha um olho caído e era um pouco manca. O rapaz procurou a casamenteira muito zangado, queria seu dinheiro de volta. A casamenteira ponderou, pediu um tempo. Afinal, o ano novo estava chegando, que ele refletisse um pouco mais. Ele concordou e resolveu esperar mais uns dias.

Em meio a um dos festejos, o rapaz resolveu também soltar uns dos fogos que servem para espantar os mau espíritos. Como não tinha muita experiência, o rojão acabou ferindo-o no rosto, deixando uma cicatriz muito feia, quase cerrando um dos olhos.

Resultado, o rapaz mudou de ideia e se casou com a moça escolhida pela casamenteira. “Afinal, se um tem defeito, o outro também passou a ter”, explicou a Susi. “E isso lá é história de amor, Susi?!”, perguntei. E ela só deu uma risadinha e disse: “aqui na China, é.”

(A ilustração mostra uma moça solteira nos anos 1900 servindo chá a uma casamenteira e os pais à direita observando. O rapaz em pé é provavelmente o irmão da candidata, já que os noivos só se conheciam no dia do casamento.)

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