Para gostar de ler, o que fazer?

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Meus filhos não leem livros e isso me deixa maluca. Passei a infância atracada com a Condessa de Segur (“As meninas exemplares”, “Sofia”, “As férias”), com Lygia Bojunga (“Bolsa Amarela”, “Os colegas”), Monteiro Lobato e todo Sítio do Picapau Amarelo, depois com a coleção da “Inspetora”, que antecedeu minha paixão por Agatha Christie, que antecedeu minha paixão por Érico Verissimo (foi aí que um certo capitão entrou definitivamente para a minha vida e de Rodrigo batizei meu filho). Continuo sendo uma leitora voraz: agora estou às voltas com “A jornada do escritor”, presentaço dos amados amigos Flavinha e Claudinho. Meu marido, Fábio, também está sempre com um exemplar debaixo dos braços. Dizem que, com relação a esse hábito, os filhos imitam o comportamento dos pais. Então por que os nossos não leem?

Não é falta de oferta: como autora de uma coluna de livros infantis, publicada no blog do Globinho (Globo), levo sempre para casa um monte de lançamentos. Gosto quando eles dão alguma opinião. Adoro mesmo é publicar o que eles dizem. Mas não fazem com a mesma vontade com que correm pra uma telinha (na verdade, eu dou uma obrigadinha, me descabelo, imploro).
Pois eu acho que tive uma ideia genial para despertar o prazer da leitura neles. Bolei uma brincadeira divertidíssima e ontem, na nossa estreia, já nos acabamos de rir e aplaudir. A brincadeira é assim: cada um da família tem que apresentar para os demais um texto, um livro, uma poesia, um conto que vai escolher de um dos muitos exemplares que temos em casa. Marina fica com a segunda-feira, Digo com a terça, eu com a quarta e Fábio com a quinta. Se nossa amada Mariinha, que trabalha lá em casa há oito anos, quiser participar, ela ficará com a sexta.
Ontem, como foi a estreia, todos apresentamos, exceto a Mariinha, que sai mais cedo às quintas. Marina correu para o quarto e trouxe “Poesia fora da estante”, um livro divertidíssimo, que reúne poemas inesperados de diversos autores brasileiros (a coordenação é de Vera Aguiar, Editora Projeto).
E aí ela leu assim:
“Era uma vez
um gato cotó:
fez cocô procê só.E o gato zarolho
veio depois:
fez cocô procês 2.

Tinha também
um gato xadrez:
fez cocô procês 3.

O gato seguinte
usava sapato:
fez cocô procês 4.

Quem não conhece
o gato Jacinto:
fez cocô procês 5.

Do gato azarado
chegou a vez:
fez cocô procês 6.

Ah, que beleza!
É o gato coquete:
fez cocô procês 7.

Bon dia! Banoite!
E o gato maroto:
fez cocô procês 8.

E o gato zebrado
também resolve:
fez cocô procês 9.

Viche! Vem chegando
O gato Raimundo:
Traz cocô pra todo mundo.”

Foi uma gargalhada geral. Digo se empolgou, leu outra poesia, eu também (porque já nasci empolgada), e o Fábio também. Aí Marina leu de novo, Digo mais uma vez, Marina mais duas, Digo idem (adora fazer tudo igual à irmã) e nisso, quase dez da noite, já tínhamos lido o livro quase todo.  Para semana que vem, vou preparar um jogral com Digo!

Comentários

  1. Adorei a brincadeira. Lá em casa a leitura é habito na hora de dormir, para quem ainda não domina a gente lê, e para o mais velho, ele mesmo se diverte com as palavras. Rezo para que eles não desistam logo dessa mania boa. bjs e obrigada pela inspiração!!

  2. amei! aqui em casa eles ainda não lêem oficialmente, mas lêem do jeito deles desde sempre. A escola do Brasil fez um trabalho fantástico em relação a isso e a gente em casa ia estimulando com a rotina diária de ler antes de dormir. Os livros ficavam em cestas bem a mão, pois assim eles podiam folhear as páginas sempre que quisessem. Como a tv é super restrita,ipads e afins praticamente inexistentes, eles acabavam buscando distração nos livros e gibis. Amei esta ideia. Podemos fazer uma noite por semana, idealmente no fim de semana para fazer esta brincadeira! Sensacional!

  3. Martin tem muitos livros, e na escola ele é muito estimulado. Desde o maternalzinho eles trabalham um livro por mes. No começo achava meio utopia, mas depois que ele começou a pegar os livros aos dois anos e me contar as histórias, achei a experiencia interessante. As vezes chega em casa e me pede: mamae, vamos contar “histolias”. Acho engraçado quando ele pega o livro e começa a contar a história, sempre interpretando os personagens suas exclamações… me derreto! Mas ainda acho dificil ler para ele. Então o habito da leitura noturna acabou não emplacando… Mas a ideia da leitura coletiva é maravilhosa Si! Maravilhosa! Lembro-me que nas ferias meu pai me dava uma pilha de livros selecionadas por ele. Ele ia me contando quando leu o livro, o que chamou a sua atenção, e porque ele era interessante. Era uma forma de eu interagir com ele e termos assunto para debater. Lembro que amava isso.

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