O (re)começo

Ele: Amor, estão me sondando para uma posição no Peru.

Eu: Oi??

Foi a minha primeira reação, seguida de outras não tão positivas e muito menos otimistas. “Como assim “Peru”???”. Conhecia histórias de expatriados que deixavam o Brasil para experimentar novas experiências de trabalho e de vida em países como Estados Unidos (a maioria), Canadá, qualquer país da Europa ou até China….mas….Peru?

“Como seria a vida lá?”, “O que tem naquele país além de ruínas incas?”, “E a pobreza, a violência, os terremotos, como seria conviver com isso?”

Muitas perguntas invadiram a minha cabeça com toda a incerteza da vontade (ou coragem) de abandonar carreira, família, amigos e uma vida construída por 33 anos.

Mas vou confessar o seguinte. Isso durou pouco. Comecei a pesquisar, Google best friend me mostrou mil possibilidades incríveis que eu poderia sim encontrar por aqui e em pouco dias já estava decidida. Eu queria viver outra cultura, outra língua, outra vida. Se essa sondagem virasse uma proposta, eu toparia sim seguir essa nova vida com meu marido. Era importante para ele. Por isso deveria ser importante para mim também. Para nós dois. O nome disso é casamento.

Proposta formalizada e aceita, começamos a espalhar a notícia de que estávamos de mudança.

Eu: “Então (como toda boa paulista começa as frases), estamos nos mudando. Para o Peru.”

TODOS: “Peru??? (cara de indignação, para não dizer de espanto). O que vocês vão fazer no Peru??”

Aí começava a  minha explicação da razão da mudança e de toda a minha visão otimista que estava tendo, e “por favor não cague tudo que estou tentando construir de positivo na minha cabeça”. Foi difícil. Foi difícil me despir do medo, foi difícil ouvir dos outros palavras (ou apenas olhares) não tão incentivadores,  foi difícil tentar convencer as pessoas de que eu não estava fazendo uma loucura abandonando minha carreira para acompanhar meu marido num país menos desenvolvido que o nosso, foi difícil ver tudo indo embora em caixas para um navio que chegaria 2 meses depois na nova casa, foi difícil chegar grávida sem saber exatamente o que encontrar, foi difícil recomeçar.  Só que para mim o difícil me instigou, me fez ter vontade de querer vivencia-lo.

Quando cheguei, entendi que a visão quase preconceituosa que eu tinha, e muitos outros que me perguntavam indignados o que iríamos fazer no Peru era apenas uma consequência da falta de conhecimento.

3 anos já se passaram e eu continuo cada dia mais encantada com Lima e com outras cidades que conheço do Peru, com a beleza diferente da tropical, com o deserto ao lado do pacífico, com os parques de Miraflores, com a vida que meu filho Rodrigo vive aqui e que a Marina irá viver.

Não sabemos por quanto tempo mais ficaremos por aqui e nem para onde vamos depois. Estou vivendo o hoje. Sei que vivi,  ainda vivo, uma experiência feliz, que de muitas formas nos fez crescer, desenvolver, nos aproximar de quem está do lado, e de alguma forma, nos aproximar também de quem está longe. E lidar com a saudade também nos faz crescer.

3 anos que que voaram. 3 anos que foram tão felizes que muitas vezes gostaria que voltassem no tempo. Que voltassem lá para o dia que cheguei grávida, com a Cuca (nossa border collie), com o medo e com todas as inseguranças. Por que foi isso que me moveu e que seguirá me movendo para viver novas experiências. Que todas elas sejam ricas e positivas quanto essa que o Peru nos trouxe. Aprendi que despir-se do medo é aprender a buscar a felicidade. E que bom que ela estava aqui também.

 

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