Estamos em casa

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Livros, bilhetes, cartas, desenhos, objetos, fotografias. Guardo tudo e tenho muitos.
Havia a opção de deixar no Brasil as nossas memórias e receber um dinheiro para comprar novas aqui, ou trazer tudo num container via marítima e não receber o dinheiro. Ficamos tentados a recomeçar com tudo novo, mas… e os bilhetes, cartas, desenhos, objetos, fotografias? Memórias não estão à venda.

Despachei a casa em outubro, e desde então, acampamos. Durante o período, gostei de ver os armários meio vazios, tudo mais organizado e me perguntei por que acumular tanta coisa. Ontem o caminhão chegou e desembrulhei nosso passado. Senti o cheiro do pinho-de-riga da cama que foi desenhada pela minha avó para o meu pai, foi da minha irmã, passou para mim e hoje dorme meu filho. Aquele perfume da madeira inundando meus sentidos, levando de volta pra casa foi reconfortante como um prato de purê de batata. O buda…os vidros de farmacêutico…as anotações nos meus livros…a marionete tailandesa… os quadros… meu Santo Antônio.
A alegria tatuada nas crianças, redescobrindo as mesmas coisas que viam todos os dias, a me contar o exato lugar onde ficavam na nossa estante preta do Jardim Botânico. Foi muito bom.
Há muito trabalho a fazer, mas agora sim, ESTAMOS EM CASA!

Comentários

  1. Bia, que delícia de texto e de momento. Sabe que eu não pude trazer minhas coisas de navio e vendi tudo menos as cartas, fotos e outros detalhes. Foi a maior confusão emocional. O desapego é interessante, mas tem coisas que não iria me desfazer novamente. Feliz casa nova.

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