Sim, eu tenho uma ajudante

Assim como a Rosane, uma das perguntas que eu mais ouvi durante minhas recentes férias no Brasil era sobre ter empregada ou babá. Sim, eu tenho.

Na China, elas se chamam ayis, ou “tias”, e sempre existiram no país. A novidade recente é que nos últimos anos elas passaram a preferir trabalhar com os estrangeiros, que as tratam melhor que seus compatriotas.

No entanto, não pense que é uma mão-de-obra barata. Em Pequim, uma doméstica custa cerca de 3 a 3,5 mil yuans por mês, o que equivale a cerca de R$ 1200, para trabalhar 8 horas diárias, sem final de semana.  No entanto, há pessoas que pedem 5 mil ou até 8 mil yuans. Fica mais caro se a profissional fala inglês e/ou faz comida ocidental.

Poucas dormem no trabalho, mas a maioria pede para usar o banheiro e tomar banho. Isso porque nas casas e apartamentos onde moram não há banheiro privativo. Em geral, há um chuveiro comum no prédio que, em grande parte das vezes, só tem água fria.

Não há encargos, nem recibos, nem contrato. Mas, entende-se que ela não vai trabalhar nos feriados chineses (que na grande parte são emendas que duram entre 5 a 7 dias) e, principalmente, no ano novo chinês. Aliás, é nessa data que elas recebem o “13o salário”, entregue num envelope vermelho como um agradecimento pelos serviços prestados. 

Minha ayi, a Li, fala (ou pelo menos acha que fala) inglês e faz alguma coisa de comida ocidental. É atenciosa com as crianças, para quem sempre traz alguma lembrancinha, e se difere da grande parte das suas colegas por ser muito falante. Por um lado, é divertido tentar entender seu inglês com sotaque de Pequim (que adiciona um som de letra “R” caipira ao final das palavras). Por outro, às vezes cansa decifrar o que ela está tentando dizer.

Como aqui em casa não somos muito chegados a comida chinesa, eu prefiro tomar as rédeas da cozinha. A Li cozinha o seu arroz grudento e legumes e torce o nariz para o meu arroz com feijão. Cada um na sua.

As ayis chinesas não só cuidam da casa, limpeza, roupas, mas nos ajudam a “traduzir” e decifrar as regras e manutenção da casa. Ligam para a gerência do condomínio e encomendam consertos, ajudam a falar com entregadores perdidos, se encarregam do jardim, fazem compras e pequenos ajustes nas roupas… E muitas vezes preparam chazinhos perfumados quando estamos doentes. No meu caso, em que mal consigo diferenciar o detergente do desinfetante, é uma mão na roda.

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