Quando e como ensinar a hora do ponto final

movingDezembro, apresentação de fim de ano do balé. Começa a pequena homenagem para as alunas que estão saindo da escola. Helena, 3 anos, cai em prantos. Levo alguns bons minutos para conseguir ficar num canto com ela e descobrir o motivo da tristeza.

“Não quero que nada mude, mamãe”.

Consegui contornar a situação, explicar que elas iam para outra escola muito legal e saímos dali. Mas o não-quero-que-nada-mude seguiu aparecendo nessas últimas semanas. Uma hora pedindo para que o pai não fique velho ao ver fios brancos na barba dele, outra vez negando que vá mudar para uma escola maior no próximo ano. Foi uma boa sequência de situações em que ela demonstrava o medo da mudança.

Que é o meu medo também. Vendo a insegurança e o temor dela, enxerguei profundamente o meu próprio. Quantas vezes adiei, empurrei com a barriga, fingi que não via a oportunidade de destruir e reconstruir, jogar fora, colocar um ponto final, deixar para trás e mudar. Logo eu, com meu sol de casa oito, pronto ali para transmutar.

Lendo aqui o relato de todas vocês,  fico imaginando como eu lidaria com tantas mudanças e voltas, idas e vindas por tantas culturas. Lidaria? De certa forma, ao propor essa reunião no Mães em Rede, aproveito para beber dessa coragem de colocar os filhos e a casa nas costas e partir.

Tudo muda e a gente muda junto, querendo ou não.  Não se entra duas vezes no mesmo rio. A minha vida deu muitas voltas e está tudo na fase de muda, de novo. E dentro da mudança, vivendo e desapegando, meu medo até some.

E é assim que eu acredito que Helena vai aprender que nada fica onde está. Tudo evolui, pode ser bom e ruim, let it be.

Parabéns moças, por essas vidas de mudança e evolução. Keep moving on.

Comentários

  1. Quando cheguei por aquí cantava todos os días Back to Bahía do Gil. Era meu mantra. “Vida mais vivida, dividida para la e para ca”. Sempre estaremos um pouco entre os dos mundos, mas nessa aritmética mesmo dividíndo, somamos. Obrigada Raquel!

  2. Raquel, nada mais certa do q a frase do sábio: nessa vida tudo é passageiro, menos o motorista o cobrador. E olha q acabaram com os cobradores!! Parece q não, mas tudo muda para quem não carregou a casa nas costas. Muda a mão do trânsito, muda a loja do shopping, muda o garçom que se aposentou, muda a professora da escola… E assim acontecem as pequenas e grandes mudanças. E assim seguimos arrumando e desarrumando malas.

  3. Oi querida Bia,

    Amei cada palavra…muito confortante e verdadeira, para nós que somos mães e todos os dias nos dedicamos para eles e por eles.
    Parabéns para família linda e que adoro!!

    Bjss

    Aline

Comentar