From janeiro, 2014

O deus da mudança

Me chamo Beatriz, mas sou conhecida como Bia ou, para os mais íntimos, sou passarinho, apelido que recebi do meu marido pelos meus traços retos, mas principalmente pela cabeça aérea e os olhos perdidos no horizonte.  Sou paulista e desde que me conheço por gente sou regida pelo eterno deus da mudança. Tenho 36 anos e embora tenha me mudado cedo para os EUA, foi no Brasil, no circuito Rio de Janeiro, Santos e São Paulo que fiz e refiz o meu ninho quase 20 vezes. Com a gravidez do Bento, hoje com quase 6 anos, resolvi voltar para onde…

De ponta cabeça

  Reza a lenda que numa de suas quase 20 mudanças, meu bisavô Pedro, apressado para sair, não percebeu que enrolara um dos muitos filhos num dos colchões. O menino quase foi para a casa nova na carroceria de um caminhão, embrulhado no meio dos móveis. Aqui em casa, seguimos a tradição da família: gostamos de empacotar e levantar âncoras. Nos últimos 10 anos, tivemos uma média de uma casa nova a cada 1,5 ano. Só por duas vezes a mudança aconteceu na mesma cidade. E há oito anos, levamos pelo menos uma criança a tiracolo. Sou carioca, tenho 43…

Um chocolate e a conta

Apesar de todos os alertas do Pedro, segui na intenção de agendar um motorista diário. Alguém da minha confiança, que pudesse buscar sem atraso, todos os dias as crianças na escola. No fim da primeira corrida com o motorista indiano, perguntei seu nome e como quem não quer nada, disse que precisava fazer aquele trajeto…

Conduzindo Mrs. Dale

Dubai é como a Barra da Tijuca no Rio. O Condomínio onde moramos é como Alphaville em São Paulo. Sem carro, esqueça, você está ilhado. Desde que a escola começou, temia a logística necessária para atender as crianças. Pedro, prudente, cartesiano e um tanto pessimista, me alertou desde o início sobre a necessidade de agendar o taxi com no mínimo uma hora de antecedência. Alerta feito, missão cumprida. Entrei no carro do indiano, que com GPS quebrado, me dizia em indianiglês que não fazia ideia do endereço da escola. Pelo menos era isso que eu achei que ele dissesse, porque…

Nao, nao temos babá

Essa é  a resposta para a pergunta mais frequente que me fazem nas férias no Brasil. Nao por amigos ou família, esses nos conhecem, mas por conhecidos e mesmo desconhecidos que puxam assunto na piscina, praia ou qualquer sala de espera. A reaçao é sempre de olhos arregalados, seguidos da pergunta: “e como vocês fazem?”. Quero deixar claro que nao tenho nada contra babás e quem usa esse tipo de serviço, inclusive nutro certa inveja. E nao temos pela razao mais simples de todas: nao podemos pagar. E nao somos só nós que nao podemos, nao conheço quase ninguém que…

Ser sabido é simples.

Era fim de dia e eu já não podia mais suportar aquele assunto dentro do estômago. Mestre Yoda me sussurrava “May the force be with you. Ogum, vista com as suas roupas, a minha cria. Santo Antônio, conto contigo. Maria, passa na frente. Arranca o nó da garganta desses meus filhos. Derrete as feições carrancudas dos novos amigos. Ilumina o olhar dessas professoras. Amém. Primeiro dia de escola. Na corrida do dia anterior, resolvi não ouvir música. Meus neurônios davam choque e qualquer energia extra daria pau no HD. Fiquei pensando na falta de ar que sentia antes de apresentar…

Saltimbancos Dubaianos.

Eu? Beatriz. Não sou das metades. Em dezembro último, foram 39 anos inteiros, intensos, imensos. Pra mim, é tudo ou nada. Sou do “EU SEMPRE”, do “EU NUNCA”. De formação, sou publicitária, marqueteira e estilista. De pretensão, cantora, atriz,cozinheira, maratonista e escoteira. De verdade, sou mãe do João e da Antônia. Não tenho medo de nada além de barata. Guardo cartas, bilhetes, desenhos. Dinheiro? Guardo não. Aperto a pasta no meio, encho de lixo a bolsa e detesto hidratante. Um certo desleixo me agrada. Ainda me sinto rebelde. É suco verde ou uísque. Nada no meio termo. O mundo é…

Na Espanha

Creio que a melhor forma para começar um blog  é se apresentando. Entao, vamos lá: eu me chamo Rosane Marinho, tenho 42 anos, carioca, casada e mâe do Hugo, de 3 anos, e da Carol, de um e nove meses. Sou fotógrafa, jornalista e professora de fotografia, e há quase nove anos vivo em Zaragoza, Espanha. A ideia do blog é contar e trocar experiências sobre como é criar brasileirinhos no exterior. Embora as comparações entre países sejam inevitáveis, não pretendemos construir nenhuma hierarquia, tipo “no Brasil é melhor” ou “no Brasil é pior”, mas simplesmente intercambiar histórias sobre essa grande aventura que é criar um filho (ou vários), que em todas as latitudes é maravilhosa em muitos momentos, e desesperadora, em…

Mães pelo mundo, iguais ou diferentes, sempre mães

Mãe é bicho esquisito.  Precisa ver os rebentos dormindo e respirando antes de descansar a própria carcaça. Só sossega quando o prato de comida está raspado. Morre de culpa quando não consegue estar num evento da escola ou quando perde o momento exato da queda do primeiro dente de leite. Morre de medo a qualquer febre ou diagnóstico desconhecido. Não se intimida para dar aos filhos o que tem certeza que é deles por direito. Ri de qualquer gracinha sem graça. Amamenta e se alimenta do amor exalado nesses momentos. Vira leoa quando vê suas crias ameaçadas. Vira mãe quando…