Na Espanha

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Creio que a melhor forma para começar um blog  é se apresentando. Entao, vamos lá: eu me chamo Rosane Marinho, tenho 42 anos, carioca, casada e mâe do Hugo, de 3 anos, e da Carol, de um e nove meses. Sou fotógrafa, jornalista e professora de fotografia, e há quase nove anos vivo em Zaragoza, Espanha. A ideia do blog é contar e trocar experiências sobre como é criar brasileirinhos no exterior. Embora as comparações entre países sejam inevitáveis, não pretendemos construir nenhuma hierarquia, tipo “no Brasil é melhor” ou “no Brasil é pior”, mas simplesmente intercambiar histórias sobre essa grande aventura que é criar um filho (ou vários), que em todas as latitudes é maravilhosa em muitos momentos, e desesperadora, em outros tantos.
 Imagino que minhas companheiras de blog  terão experiências de “choque cultural” muito mais radicais do que eu para contar. Espanha e Brasil são muito mais próximos. Temos uma língua parecida, uma cultura católica de fundo parecida, o mesmo gosto pela festa, pela alegria, pelo futebol. O mesmo prazer de deixar as coisas para a última hora, de chegar tarde nos compromissos, de comer bem, de amar o sol, de reclamar dos políticos… Obviamente, parecido não é igual, senão esse seria meu primeiro e último texto nesse blog. Então, espero poder contar minhas histórias com o pediatra, a escola, os amigos, outras mães, como vamos esquilibrando todos os dias o trabalho, casa e os horários loucos dos espanhois. E como aprendemos,  com esses dois pequenos tão maravilhosos, a ver a vida com mais 

calma, com mais esperança e otimismo. E também com mais medos e preocupações, coisa que 
ninguém conta, mas que vem junto com o resultado positivo de uma gravidez. 
O que faltou contar na apresentação é que meu marido, Nacho (Ignacio), é espanhol. Isso 
significa que nossa casa não é território brasileiro exclusivo. Comemos arroz com feijão com 
frequência, mas não é um prato diário. Também tomamos gazpacho e cozinhamos muitas paellas. Com relação às línguas, eu falo português e Nacho, espanhol. Sempre. Assim cada um vai aprendendo as sutilezas da língua do outro, coisas que não se ensinam em nenhuma escola. Mesmo assim, Nacho se queixa que aprende um português muito “femenino”. Foram necessárias algumas viagens ao Brasil para que ele se desse conta de que repetir “que coisa fofa!” não pega muito bem. Ao nascerem as crianças, seguimos como estávamos: cada um com sua língua e os meninos já são mestres no portunhol. Embora demorem um pouco mais a falar que a maioria das outras crianças, entendem perfeitamente as duas línguas.
Mas criar os meninos em duas culturas vai além de tentar que eles falem bem o português. 
É tentar dar referências para que eles compreendam não apenas as palavras, mas também a 
forma como elas são ditas. Pena que não existam escolas brasileiras no exterior como existem 
o Liceu Francês e a Escola Alemã. Ainda bem que está ai (ou aqui) a internet para nos ajudar na tarefa. E ter duas nacionalidades é também lidar com duas burocracias, mas isso é outra história para muitos posts.

 

Comentários

  1. parabéns pela ideia, acho ótimo poder ler como é viver fora deste nosso “Brasilzão”, ler a respeito das crianças ….. bjs, sucesso!!!!!!

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