João-Ninguém

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A nova escola das crianças é construtivista, bilíngue e internacional. Isso quer dizer que o currículo permite que em seguida, mudem tanto para as britânicas quanto para as americanas. Estamos encantados com a metodologia, o ambiente e o carinho onde João e Antônia são tratados pelo nome desde a recepcionista até a enfermeira.

Assim que chegamos foi necessário que ele fizesse uma prova para entrar na escola britânica escolhida e ele, naturalmente, não passou. A vivência de 2 meses de inglês do Brasil e sua timidez diante de tantas novidades, não foram suficientes para tanta expectativa.

O ano termina em Setembro e as provas para o primeiro ano começam agora. Depois de muita conversa, eu e o Pedro decidimos que nosso João não é Ninguém. Tampouco devemos esperar que seja João-Coragem. Nosso João vai ser João-de-barro, construindo sua casa sólida, com bico preciso. Nosso João vai ser João-Gilberto, colorindo um pouco mais daqui com a Aquarela do Brasil. Vai ser João do Rio, pra decifrar bem ligeiro estas novas letras de som redondo. Nosso João, que significa que “Deus é cheio de Graça”, vai repetir esse ano, para que esteja pronto depois.
Há quem diga que são os obstáculos da vida, que é preciso lidar com os problemas, mas não com 5 anos. Não depois de quilômetros de distância do que lhe era confortável e conhecido, uma casa vazia, meses sem o pai. Não. Não mesmo.

Comentários

  1. A sensibilidade para perceber o que é melhor para o indivíduo, mesmo quando vai contra o que os “outros” têm como certo é um dom… Um que espero desenvolver como você!

  2. Uma vez ouvi uma mãe contar uma história, breve, simples, de como certo dia a filha pequena pediu pra ir dormir sem tomar banho. Mas como??? O protocolo exige que se tome banho pra ir dormir certo? Que absurdo… Ela parou, pensou e concordou. A menina dormiu enquanto ela trocava o pijama de tão cansadinha. E daí ela finaliza com uma frase que eu sempre me lembro: “Nenhum protocolo jamais será mais importante que as pessoas”. E isso ne? 🙂

  3. Bia, fiquei emocionada com seu texto e vi um filme passar na minha cabeça. Quando meus filhos fizeram 4 anos nos mudamos pra Paris e eles não falavam quase nada em francês. Atrasamos os 2 na escola seis meses (meio ano porque lá tb a escola começa em setembro) e foi a melhor coisa que fizemos. Hj eles estão no 5 ano, 6 meses atras dos amigos brasileiros que já começaram o sexto. Estudam em uma escola bilingue (francês/inglês) na Africa do Sul e com quase 11 anos (que completam no mês que vem) são fluentes em 3 línguas. O seu João também vai ser logo logo e sobre uma base forte de barro, não um castelo de areia. Parabéns por essa decisão e parabéns pelo texto. bj

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