De ponta cabeça

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Reza a lenda que numa de suas quase 20 mudanças, meu bisavô Pedro, apressado para sair, não percebeu que enrolara um dos muitos filhos num dos colchões. O menino quase foi para a casa nova na carroceria de um caminhão, embrulhado no meio dos móveis.

Aqui em casa, seguimos a tradição da família: gostamos de empacotar e levantar âncoras. Nos últimos 10 anos, tivemos uma média de uma casa nova a cada 1,5 ano. Só por duas vezes a mudança aconteceu na mesma cidade. E há oito anos, levamos pelo menos uma criança a tiracolo.

Sou carioca, tenho 43 anos, sou jornalista e marqueteira. Mas, ultimamente, tenho sido mãe de duas meninas, Elisa (8) e Sofia (6).

Assim como eu, minhas filhas começaram cedo a se mudar. Elisa nasceu em Berkeley, na Califórnia, no final do MBA do meu marido, o André (ou o Vincent, como quiserem). Voltamos ao Brasil quando Elisa completou seis semanas. Já a Sofia, nossa paulista, foi morar em Paris quando tinha apenas três meses.

Chegamos a Pequim em fevereiro do ano passado, depois de passarmos três anos em Joinville, Santa Catarina e, desde então, vivemos “de ponta cabeça” e somos “surdos, mudos e analfabetos”.

Nossa trajetória nos ensinou que não existem culturas boas ou ruins, apenas diferentes. Dessa forma, as meninas vão crescendo mais tolerantes, com olhos mais abertos ao que lhes é diferente. E aqui, vou contar um pouquinho como conseguimos (ou não) fazer isso.

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