Conexão Dubai-Guarabira.

Cupcakes do João

Cupcakes do João

Tenho um amigo, chamado Eduardo. Profissional do meio digital, fã do Jorge Ben(Jor).
Surpreendeu todo mundo, largou uma boa posição de trabalho no Brasil e foi pra Barcelona estudar Filosofia. Curiosa, e com saudades, o recebi em nossa casa no Jardim Botânico duas vezes para jantar, quando visitava o Brasil.
Dudu morou por lá acho que uns 8 anos, e voltou um filósofo digital. Achava tudo diferente, numa terra que sempre fora a dele, e num desses jantares, foi recebido por Josefa, a nossa empregada.

Jô é dos Santos Maia, é de Guarabira, é paraibana arretada, meu braço direito e esquerdo. Esteve comigo sete anos, sem chegar atrasada, mas cheia de atitude e de pouquíssimas palavras. Numa dessas conversas com meu amigo filósofo, sua fala ecoou nas minhas ideias e até hoje repito, sempre que o assunto envolve empregados domésticos: “Ela lava a sua privada – ele dizia – devia ganhar mais do que você.” Eu que sempre tive muitas dificuldades nesta relação tão delicada, pensei, repensei e penso até hoje.

A oferta aqui em Dubai é imensa. Posso assegurar que praticamente todos os nossos vizinhos têm uma ajudante. No nosso caso, este custo representaria 8% do salário do Pedro. Aceitável.
No entanto, permanecemos só nós cinco. Nas andanças que fiz pelo mundo, sozinha e com tempo para refletir sobre a vida, outra imagem nunca me saiu da cabeça. Em Londres, vi uma mãe com gêmeos em um carrinho duplo e mais uma criança do lado. Sem babá, sem ninguém. Não tenho nada contra quem tem, mas esta nunca foi a nossa opção. Cuidamos dos meninos nós. Contamos com o apoio de uma creche espetacular e dos avós. Mas a Jô, nossa ajudante, estava lá… garantindo comidinha saudável e fresquinha, lavando a roupa e mantendo em ordem a casa.
Desde que chegamos aqui, assumi o comando. Cozinho, lavo a roupa, limpo a casa, cuido das crianças, busco na escola, passeio com a Cuca. Estou cansada e muitas vezes me pergunto: “Pra que tanto estudo? Empreendedorismo… Criatividade… Pra que? Pra lavar roupa?” Por outro lado, tem sido a oportunidade de criar novos sabores sem receitas, baixar as expectativas  e conviver com a poeira. Tem um gosto diferente comer o que você mesma preparou. Um valor embutido em cada sapato que seus próprios pequenos guardam.
Todas estas decisões foram parte de um aprendizado. Li coisas interessantes em Simplicity Parenting e busco ajuda constante em modernparentsmessykids.com. 
Em breve, vamos contratar uma faxineira. Alguém que possa me dar dias de folga por semana. Por enquanto, sou aquela que lava pano de prato misturado com calça de moletom.

Sempre quis uma casa com cheiro de bolo. Agora a gente tem.

Comentários

  1. Bia, no ES a gente tinha empregada 3x por semana. Era muito tranquilo. Eu mal me preocupava com a casa, Dona Marly era uma santa e resolvia tudo pra mim. Eu cuidava do Oliver e do meu trabalho (e me aventurava na cozinha pq sempre gostei). Quando voltamos pro Rio, vimos que o custo de empregados aqui era bem mais alto (assim como tudo). Decidimos ficar sem por um tempo. E sabe o que foi mais legal? Sentir-se dona e responsável por tudo que te pertence. A casa estava organizada e limpa e nós que davamos conta. Bom, eu que dava conta na maior parte do tempo já que trabalho em casa, mas sempre botei o Celo pra trabalhar tb. Bom, a casa era mais limpa, as roupas mais bem passadas no tempo da D. Marly e não se lavava calça de moletom com pano de prato :p mas era uma casa limpa e arrumava que eu tinha orgulho. Eu criei uma rotina de limpeza diária que conciliava os horários do Oliver e do meu trabalho, Marcelo recebia as tarefas dele. Funcionou muito bem por um tempo mas eu tive dificuldade de lidar com os percalços (quando a rotina falhava, eu ficava doente, o Oliver ficava doente…) e quando veio a gravidez do Eric decidimos por ter uma faxineira uma vez por semana. Assim ficariamos responsável pela manutenção. Por um tempo ficou meio confuso, muito trabalho e gravidez dificultaram muito… Mas hj, conseguimos chegar num modelo legal. Finalmente consegui uma moça de confiança que vem toda quarta dar a geral na casa. Quando preciso ela vem um dia a mais. No resto da semana, eu vou tirando 10, 15min do dia de trabalho pra colocar roupa na maquina, lavar a louca, pendurar roupa… Seria muito mais confortável ter a empregada 3x por semana ou mais, é verdade. Mas o gasto seria muito maior tb… Dessa forma podemos aproveitar melhor esse dinheiro. E existe uma questão filosófica tb… Certa vez li que o tempo que pagamos para nossas empregadas é um tempo que “roubamos” delas. Afinal, a moça que está ali limpando a sua cozinha tem que deixar os filhos com a vizinha para ir trabalhar e conseguir sustentar a família. Não que exista algo errado em uma mulher sair para trabalhar e deixar os filhos com alguém ou numa creche, mas a questão é como pagamos (mal) por um trabalho que não dá futuro ou melhores opções, é pesado…Pagamos por um tempo que elas poderiam dedicar aos próprios filhos ou à própria casa.

    Tb acho que é uma boa lição aos filhos ser responsável por arrumar as próprias coisas. Exemplo é tudo na educação né? 🙂

    Beijos e sorte aí! 🙂

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